quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

UMA JANGADA DE PEDRA A CAMINHO DO HAITI


O Grupo Leya, a Editorial Caminho e a Fundação José Saramago lançaram com outros parceiros, a campanha “Uma Jangada de Pedra a caminho do Haiti”, ato de solidariedade para com as vítimas do terremoto no Haiti.
A ajuda será dada através da venda de uma edição especial do livro “A Jangada de Pedra”, nas livrarias portuguesas a partir da próxima sexta-feira.
As editoras de José Saramago na Espanha e na América Latina farão campanhas semelhantes nos respectivos países.
Tanto a capa quanto a notícia foram retiradas do Bibliotecário de Babel (http://www.bibliotecariodebabel.com/).

11 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Boa dica!

maria guimarães sampaio disse...

E o Brasil? Cadê a Companhia das Letras?

Pena disse...

Linda Amiga:
Admiro imenso o seu sentimento de solidariedade seja em que circunstâncias for.
Um Post repleto de sensatez e sobriedade que são suas.
Parabéns pelo humanismo que mora em si e na deliciosa e fantástica pessoa GIGANTE que é.
Excelente.
Beijinhos amigos de imenso respeito e admiração.
Sempre a estimá-la

pena

Adorei.
Bem-Haja, pela ternura deixada no meu blogue.
MUITO OBRIGADO!
É admirável. Um Ser Humano perfeito.

Bípede Falante disse...

Super bacana essa ideia. Seria fantástico se as nossas editoras fizessem algo semelhante. Vou estar atenta as iniciativas que ocorrerem por aqui.
Mudando de assunto, andei pensando, e não sei se a ideia de fazer um blog português fica boa nesse momento. Ontem, recebi a visita de uma espanhola que gostaria de participar. De qualquer forma, Gerana, a ideia é muito boa e podemos aproveita-la em um outro blog. Eu gostaria muito que você já participasse deste. Beijo. Bípede

Anônimo disse...

OS ESFORÇOS PARA ACUDIR AO HAITI (MAIS UMAS INICIATIVA...)
É um lugar comum. Os esforços para acudir às vítimas da tragédia do Haiti não serão
nunca demais. Morre-se em cada hora que passa. Cerca de 120 mil mortos, um grau de
destruição quase inimaginável, a agonia das estruturas
estatais/assistenciais/administrativas de um País. Pobre
situação a de um povo que começou a sua História lutando pela liberdade contra os donos
de escravos franceses no início do século XIX, que venceu essa prova, mas que tem
conhecido guerras internas, invasões e ocupações estrangeiras, além de desastres
naturais, ao longo de dois séculos... para já não falar das ditaduras que pouco dignos
filhos seus exerceram.
É curioso ver como se unem esforços.
Uma iniciativa em particular chama a atenção. O Nobel português, José Saramago , vai
promover uma edição especial de solidariedade do seu livro de 1986, "Jangada de Pedra".
Citando agências noticiosas e a sua fundação, «a acção de solidariedade reverte a favor
das vítimas do sismo do Haiti e decorrerá
futuramente também em Espanha e na América Latina. O livro custa €15 e estará disponível
nas livrarias a partir de sexta-feira; e porque, segundo o próprio Saramago "todos temos
uma obrigação", a campanha "Uma Jangada
de Pedra a caminho do Haiti" vai prolongar-se até 28 de Fevereiro de 2010.»
Recorde-se que esta obra descreve um cenário imaginário, no qual uma espécie de
terramoto lento separa a Península Ibérica do resto da Europa, e a coloca à deriva, como
uma gigantesca ilha, no que é interpretado por alguns críticos como uma das primeiras
manifestações de iberismo deste escritor. A catástrofe imaginária terá levado o autor a
escolher este livro
para esta acção, em que se procurará acudir às carências resultantes de uma catástrofe
real.
O livro é ainda hoje muito citado. Não parece crível que o autor, com este gesto,
esteja a sugerir que a Haiti se deva deixar governar por alguma potência externa e
vizinha, como por exemplo a República Dominicana, já que Saramago é um conhecido lutador
pela liberdade dos povos e pela direito à auto-determinação, como recentemente se viu em
relação ao Sahará ex-espanhol. Aliás, no livro, o Nobel não hesita em ironizar sobre as
esperanças espanholas sobre Gibraltar... que não acompanha a península na imaginária
ruptura geográfica... referindo mesmo que sobre este litígio o português é pouco
"sensível" ... já que «a sua mágoa histórica chama-se Olivença e este caminho não leva
lá.»(página 89)
Receia-se, porém, que Saramago não seja bem compreendido nesta sua iniciativa, por
causa da escolha desta obra em concreto, e que poderá sujeitar-se a alguns comentários
algo cépticos.
Penso que todas as iniciativas a favor do Haiti serão positivas, desde que eficazes
e desinteressadas. Esta não será excepção, mas penso que Saramago, e ele que me desculpe,
poderia ter escolhido outro texto. Valha-nos a qualidade literária!!!
Estremoz, 27 de Janeiro de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna

Carlos Luna disse...

OS ESFORÇOS PARA ACUDIR AO HAITI (MAIS UMAS INICIATIVA...)
É um lugar comum. Os esforços para acudir às vítimas da tragédia do Haiti não serão
nunca demais. Morre-se em cada hora que passa. Cerca de 120 mil mortos, um grau de
destruição quase inimaginável, a agonia das estruturas
estatais/assistenciais/administrativas de um País. Pobre
situação a de um povo que começou a sua História lutando pela liberdade contra os donos
de escravos franceses no início do século XIX, que venceu essa prova, mas que tem
conhecido guerras internas, invasões e ocupações estrangeiras, além de desastres
naturais, ao longo de dois séculos... para já não falar das ditaduras que pouco dignos
filhos seus exerceram.
É curioso ver como se unem esforços.
Uma iniciativa em particular chama a atenção. O Nobel português, José Saramago , vai
promover uma edição especial de solidariedade do seu livro de 1986, "Jangada de Pedra".
Citando agências noticiosas e a sua fundação, «a acção de solidariedade reverte a favor
das vítimas do sismo do Haiti e decorrerá
futuramente também em Espanha e na América Latina. O livro custa €15 e estará disponível
nas livrarias a partir de sexta-feira; e porque, segundo o próprio Saramago "todos temos
uma obrigação", a campanha "Uma Jangada
de Pedra a caminho do Haiti" vai prolongar-se até 28 de Fevereiro de 2010.»
Recorde-se que esta obra descreve um cenário imaginário, no qual uma espécie de
terramoto lento separa a Península Ibérica do resto da Europa, e a coloca à deriva, como
uma gigantesca ilha, no que é interpretado por alguns críticos como uma das primeiras
manifestações de iberismo deste escritor. A catástrofe imaginária terá levado o autor a
escolher este livro
para esta acção, em que se procurará acudir às carências resultantes de uma catástrofe
real.
O livro é ainda hoje muito citado. Não parece crível que o autor, com este gesto,
esteja a sugerir que a Haiti se deva deixar governar por alguma potência externa e
vizinha, como por exemplo a República Dominicana, já que Saramago é um conhecido lutador
pela liberdade dos povos e pela direito à auto-determinação, como recentemente se viu em
relação ao Sahará ex-espanhol. Aliás, no livro, o Nobel não hesita em ironizar sobre as
esperanças espanholas sobre Gibraltar... que não acompanha a península na imaginária
ruptura geográfica... referindo mesmo que sobre este litígio o português é pouco
"sensível" ... já que «a sua mágoa histórica chama-se Olivença e este caminho não leva
lá.»(página 89)
Receia-se, porém, que Saramago não seja bem compreendido nesta sua iniciativa, por
causa da escolha desta obra em concreto, e que poderá sujeitar-se a alguns comentários
algo cépticos.
Penso que todas as iniciativas a favor do Haiti serão positivas, desde que eficazes
e desinteressadas. Esta não será excepção, mas penso que Saramago, e ele que me desculpe,
poderia ter escolhido outro texto. Valha-nos a qualidade literária!!!
Estremoz, 27 de Janeiro de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna

glaucia lemos disse...

Granda ideia da fundação de Saramago, ou de sua editora em Portugal e na Espanha. Tomara que as vendas progridam.

leonel disse...

Excelentes indicações eu encontrei aqui! Que bom que ainda existam pessoas que se comprometem a divulgar a difundir o que há de mais rico e melhor em literatura.
Voltarei a este espaço com muito bom gosto, em busca de mais preciosidades.

Abraço!

Ana Tapadas disse...

Está demais! Então postámos a mesma coisa?! Pois é.
Não deixes de me visitar às primeiras horas do dia português...falta de habilidade informática impediu-me de fazer melhor.
Grande abraço, «pé na terra e cabeça no ar»!
beijitos

Bernardo Guimarães disse...

agora são dois motivos para ler saramago.
acabo de ler caim e ainda estou em êxtase...

João disse...

Amo Saramago por dois motivos: escreve super bem e é "do bem".

Sinto falta de umas gotas de utopia nessa tal contemporaneidade, sabe?...