
Ruy Espinheira Filho
Ao luar, a um dia só da primavera
oficial, eis que ele escuta a hera
densa de amor acariciando os muros,
abraçando-os, possuindo-os, nos escuros
e nos claros da noite. Ao luar e só,
ele sente mover-se, sob o pó
de antigas primaveras e outras luas,
rostos de casas, campos, gestos, ruas
que há muito desertaram os olhos velhos
que hoje o fitam de todos os espelhos.
Ouvindo a hera, as nuvens, o luar
que canta sobre as árvores e o mar
uma branca magia, ele vê, pálido,
sorrir-lhe o sorriso calmo, cálido,
de uma infanta em plena primavera
ao luar e ao som da hera de outra era.
E então, ao luar, enquanto escuta a hera
cantar, a um dia só da primavera
oficial, eis que ele enlaça a infanta
e dança uma mentira meiga e santa
como só sabe ser o que é história
contada nos boleros da memória.
Ao luar, a um dia só da primavera
oficial, eis que ele escuta a hera
densa de amor acariciando os muros,
abraçando-os, possuindo-os, nos escuros
e nos claros da noite. Ao luar e só,
ele sente mover-se, sob o pó
de antigas primaveras e outras luas,
rostos de casas, campos, gestos, ruas
que há muito desertaram os olhos velhos
que hoje o fitam de todos os espelhos.
Ouvindo a hera, as nuvens, o luar
que canta sobre as árvores e o mar
uma branca magia, ele vê, pálido,
sorrir-lhe o sorriso calmo, cálido,
de uma infanta em plena primavera
ao luar e ao som da hera de outra era.
E então, ao luar, enquanto escuta a hera
cantar, a um dia só da primavera
oficial, eis que ele enlaça a infanta
e dança uma mentira meiga e santa
como só sabe ser o que é história
contada nos boleros da memória.
"Ao Luar" pertence ao livro Memória da Chuva (RJ: Nova Fronteira, 1996).