
Tarda
e se faz longe e tarda.
Para cá do âmago do meu sacrário
e foge,
palavra úmida do escondido soluço.
Viesses
como rebentação viria,
grito de cataclismo,
ou rio,
a escandir sobre a tela pautada,
teu ritmo de dor.
Viesses,
fogo em coivara a estalar,
ou frágil flama em lenho de fogueira.
Viesses,
casca a ragar-se da amêndoa,
inflamando ignota e vívida.
E após tua voz no traço
- sangue impresso -
o silêncio,
vencendo a agonia do silêncio,
seria
a perseguida paz.
Gláucia Lemos é ficcionista premiada e tem mais de 20 títulos publicados, mas o blog está em tempo de poesia. Foto de Rodolfo Oliver, retirada do Flickr.