
para o poeta Cajazeira Ramos
É preciso deixar os deuses quietos
Que as caravanas passam e eles ficam
E os cães ladrando insanos, irrequietos
São meros animais — com tudo implicam.
É preciso deixar os deuses mansos
Que dos mortais há muito se fartaram
Deixar que esqueçam seus eternos ranços
E olvidem sobretudo que falharam.
É preciso que os deuses, no silêncio
Não impeçam as lentas caminhadas
Que vão do sonho louco à ponte pênsil
E renascem na luz de uma alvorada
A Lua se sumindo na neblina
O Sol iluminando o pó da estrada.
Este poema dialoga com o poema "A Marcha" de Luís Antonio Cajazeira Ramos.
Aramis Ribeiro Costa tem 17 títulos publicados, é ficcionista e poeta, autor de Espelho Partido (FUNCEB, 1996).
2 comentários:
Li o poema com visão e ouvido independentes. E percebi o ritmo, a sonoridade e a imagem criados por ele. Depois li "A Marcha", poema que deveria ter lido primeiro. Tive que ler de novo "A Contramarcha", e aí, nova imagem se criou, a teia dialógica surgiu-me, com seus fios tênues e brilhantes.
O que mais me admira neste poema do Aramis é que, mesmo sendo um "contra", um novo argumento, ela ultrapassa a idéia de resposta, avança e nos aprofunda na relação ambígua entre o divino e o humano.
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