GDterça-feira, 18 de maio de 2010
KÁTIA BORGES: UM INGRESSO PARA UMA VIAGEM POÉTICA
GDsegunda-feira, 17 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
PROPRIEDADE

Gerana Damulakis
O poeta Manuel Anastácio dialoga com o texto de Fernando Pessoa da minha postagem anterior. A poesia permite e, inclusive, ganha com os diálogos entre os poetas em torno das grandes questões. Sabedor e mestre dos versos, Manuel confere ao seu texto poético um lirismo a mais na surpresa do verso final, sempre encantando.
PROPRIEDADE
---------------Manuel Anastácio
Não possuo o teu corpo.
Mesmo quando o possuo,
Só quando por ele sou possuído
É que dou como indeferido o resultado da reflexão.
Não possuo o teu corpo
Nem a minha alma tem garras com que o agarre.
Não possuo o que como, que em mim se esvai,
Não possuo a minha alma, que em meu corpo se distrai.
Não possuo. Nem o que sei, em verdade, é meu
Se em verdade algo me não é dado que já não seja meu
Porque não sei se é, apenas teu, e a mim, vagamente,
Emprestado.
Nada em mim vejo aclarado e transparente.
Vagamente, nada em mim está, assim, em mim presente,
Nem sólido monumento, nem pensamento, nem palavra
nem fonema,
Nem dúvida nem certeza. Nem prosa nem poema.
Sonho? Provavelmente, não. Até porque a Ilusão
É arte que se vende cara.
Eu não sou eu.
E só não nego a tua presença,
Que não possuo,
Porque me entreguei em verdade e disse:
Sou teu.
Ilustração: Estudo cênico de Alamada Negreiros.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
EU NÃO POSSUO O MEU CORPO

O escritor Luiz Ruffato teve a sorte de fazer uma seleção de textos (poemas, fragmentos de cartas) seguindo seu gosto - que trabalho delicioso! O resultado foi o livro Fernando Pessoa - Quando fui outro (Objetiva/ Alfaguara Brasil, 2006). Dele, retiro o texto bem pessoano que faz pensar e pensar e pensar.
Ilustração: de Almada Negreiros: Retrato do Poeta Fernando Pessoa, 1954.
domingo, 9 de maio de 2010
A ÁRVORE DA VIDA

Gerana Damulakis
Milan Kundera, em A arte do romance (Companhia de Bolso, 2009), coloca toda sua lucidez crítica sobre a literatura. A leitura sobre a literatura é tão fascinante quanto a arte literária mesma. Há uma parte dos ensaios, quando Kundera resolve fazer uma espécie de dicionário pessoal, um dicionário de seus romances, com sua palavras-chave, suas palavras-problema, suas palavras- amor...
Sobre a inexperiência, ele (e é por isso que preciso dos escritores) escreve exatamente o que, por vezes, me ocorre:
Nasce-se uma vez por todas, jamais se poderá recomeçar uma outra vida com as experiências da vida precedente. Sai-se da infância sem saber o que é a juventude, casa-se sem saber o que é ser casado, e mesmo, quando entramos na velhice, não sabemos para onde vamos: os velhos são crianças inocentes de sua velhice. Nesse sentido, a terra do homem é o planeta da inexperiência.
Milan Kundera
Ilustração: A árvore da vida, de Gustav Klimt.
terça-feira, 4 de maio de 2010
"HOJE, TENHO MUITO O QUE FAZER"
Gerana Damulakis
Muitos, muitos são os versos que habitam nossos pensamentos. Bastou que M., do blog Estranhamentos (http://estranhamentos.zip.net/), fizesse uma postagem sobre a poeta ucraniana Anna Akhmátova (1889-1966) para que exatamente os dois versos iniciais da 2ª estrofe do poema "Veredicto" mostrassem a permanência de tal poesia em mim. Conheço duas traduções. Uma delas é da conceituadíssima Aurora F. Bernardini e de Hadasa Cytrynowicz, mas optei pela de Lauro Machado Coelho porque os dois versos que me tomam estão naquela tradução.
VII
O VEREDICTO
------------Anna Akhmátova
E a pétrea palavra caiu
sobre o meu peito ainda vivo.
Pouco importa: estava pronta.
Dou um jeito de agüentar.
Hoje, tenho muito o que fazer;
devo matar a memória até o fim.
Minha alma vai ter de virar pedra.
Terei de reaprender a viver.
Senão… o ardente ruído do verão
é como uma festa debaixo da janela.
Há muito tempo eu esperava
por este dia brilhante, esta casa vazia.
in Réquiem: um ciclo de poemas (1935-1940). Seleção, tradução e notas: Lauro Machado Coelho. (L&PM, 1991).
Ilustração: Natan Altman, Retrato de Anna Akhmátova, a poetisa (1914).
domingo, 2 de maio de 2010
VERSO & PROSA
Os próximos livros do Selo Cartas Bahianas, da P55, serão lançados: a poesia de Karina e a prosa de Marcus Vinícius.
Karina Rabinovitz, do blog Sussurros (http://www.karinarabinovitz.blogspot.com/), que espalha seus versos pela cidade, publica o título Livro do quase invisível. Do seu blog retirei versos:
o peixe tinha molho de manga e alcaparras,
só pra lembrar:
a vida são essas farras!
entre doce_salgado,
leve_pesado
amanhã_passado
e no meio do furacão de tudo,
entre manga e alcaparras,
sua risada. suas asas.
só pra lembrar:
a vida são essas pausas...
http://cafemolotov.blogspot.com/
Dia 4 de maio, na Tom do Saber, Pirâmide do Rio Vermelho. Será muito bom: não percam!
