sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A LEITURA: UMA VIAGEM


Gerana Damulakis

Li, faz algum tempo, no ótimo Bibliotecário de Babel (http://bibliotecariodebabel.com/) sobre a leitura ser algo tão apaixonante que se pode até andar lendo. Lembro que, nos comentários, houve quem aconselhasse a José Mário Silva a ter cuidado para não acabar sendo atropelado. Não esqueci da postagem que era, obviamente, muito melhor do que a minha reprodução aqui resumida.
Ao entrar hoje no blog O silêncio dos livros (http://osilenciodoslivros.blogspot.com/) olhei para o belíssimo Franco Matticchio acima postado e fiquei pensando. É isto mesmo, o mundo fica invisível, as pessoas passam para lá e para cá, mas o que importa, naquele momento da leitura, independente do lugar, está no livro. Um outro mundo nas páginas. Qual? Também não importa qual, são tantos, tantas as possibilidades. Só a viagem importa: que seja bela!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ADELICE E LUÍS HENRIQUE NA ALB


MARCUS VINÍCIUS VENCE O CONCURSO NEWTON SAMPAIO



Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio 2009 -
Resultado



A Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e a Comissão Julgadora, constituída por MARINA COLASANTI E MIGUEL SANCHES NETO, FLOR DE MARIA SILVA DUARTE, apresentam os vencedores do Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009.

Os contos premiados foram:

Em primeiro lugar: inscrição nº : 1055
Autor: Marcus Vinícius Couto Rodrigues - Salvador - BA
com o conto: A omoplata

Em segundo lugar: incrição nº: 397
Autor: Douglas Kim - São Paulo - SP
com o conto: O homem envolveu a menina com o braço direito

Em terceiro lugar: inscrição nº: 466
Autor: Walther Moreira Santos - Vitória de Santo Antão - PE
com o conto: Uma esperança

Indicado para receber a menção honrosa:
Inscrição nº: 170
Autor: Lucas Jerzy Portela - Salvador - BA
Conto: Os galos

Foto de Marcus Vinícius retirada do blog Café Molotov, entrada pelos meus favoritos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MINICONTO


O CORPO CAÍDO NO CHÃO
Aramis Ribeiro Costa

Tinha quarenta e três anos, era forte e saudável, mas sentiu uma forte dor no peito, suou frio, caiu no chão desmaiado, e lá ficou na calçada, em plena avenida movimentada. Uma senhora passava com a filha, comentou:
- Que vergonha. A essa hora.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ALGUÉM DIZ POR MIM


Ser feliz é não precisar se lembrar.

J. M. G. Le Clézio ( Prêmio Nobel 2008), em Refrão da Fome (Cosac Naify, 2009. Tradução de Leonardo Fróes).



Eis um dos motivos da minha paixão pela literatura: encontro o que sinto, mas que não sei dizer.
Em tempo: não há relação com auto-ajuda, mas com o êxtase diante da beleza do “como dizer”.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ELIAS CANETTI: SOBRE OS ESCRITORES

Gerana Damulakis

Elias Canetti é o autor do romance Auto-de-fé, incluído na minha lista dos 100 romances que considero mais grandiosos. Não fica por aí, no entanto, a minha admiração por Canetti: os volumes A língua absolvida, Uma luz em meu ouvido e O jogo dos olhos merecem releitura e ainda os contos de Vozes de Marrakech e O todo-ouvidos - Cinquenta caracteres, os quais trataram de estabelecer certa intimidade com o autor de O outro processo- As cartas de Kafka a Felice quando, então, definitivamente eu coloquei Canetti em um lugar muito precioso nas minhas lembranças de leitura. Apenas Massa e poder (ensaio filosófico-etnológico), um livro importante e que chamou a atenção para Canetti, não encontrou em mim a capacidade necessária para o entendimento, pois foge da minha seara, sou assumidamente limitada.

Nobel de 1981, Canetti morreu em 1994 e deixou inéditos com ordem para publicação apenas 30 anos depois da sua ida. Todavia, estão aparecendo os inéditos de Canetti. Foi com grande expectativa que comprei meu exemplar de Sobre os escritores (José Olympio Editora, tradução de Kristina Michahelles) com apresentação do admirável Ivo Barroso. A erudição de Canetti é alicerce seguro para escrever sobre escritores. Contudo, há momentos em que certo desdém está misturado com admiração; de saída, isto também foi percebido por Ivo Barroso, o qual vai além, associando o desdém, não com a inveja, mas com a identificação e a autocrítica de Canetti. Seja lá qual for a explicação, o certo é que, em dadas passagens críticas, pensei que os textos de Sobre os escritores poderiam continuar inéditos. O melhor Canetti já foi publicado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

JORGE LUÍS BORGES: MOMENTO DE RUPTURA

Gerana Damulakis


Talvez se possa atribuir a Flaubert a inauguração de uma importância até então não corriqueira, ou seja, a importância da figura do escritor, haja vista Flaubert escrever e testemunhar tal ato num mesmo texto.
Talvez se possa atribuir a Proust a (re)criação de um mundo real com as palavras através de um perfeito equilíbrio com a própria ficção.
Agora não há talvez. Certamente se pode atribuir a Jorge Luís Borges um ponto de ruptura, dada sua narrativa ensaística: verdadeiro ato que tirou as algemas das possibilidades literárias, permitindo que alcançassem seus voos.
Eis o momento: as narrativas podem ser classificadas de ensaios, livros de viagem, memórias ou autobiografias, como sempre foram. A diferença está, enfim, em serem englobadas como grandes romances. Exemplos? Os textos de W. G. Sebald (1944-2001), de Claudio Magris (1939- ), para ficarmos apenas com dois escritores. Há outros. Muitos.


Ilustração: litografia "Relativity", de M. C. Escher, de 1953.