sábado, 30 de outubro de 2010

ESPERANDO NO OLIMPO


Agora é um jardim
de rosa e jasmim.
Outrora foi a pedra
sem valor a guerra medra.
Outrora foi a tramóia,
a conquista, a vitória em Tróia.
O vento é o mesmo grego
passa como apagador
em quadro-negro.
Mas se ele dobrar a esquina
e voltar com o ontem,
quem sabe traga os deuses
e eles me contem.


Do livro O Guardador de Mitos (Damulakis, G: Salvador, 1993).
Ilustração: Zephyrus, Deus do Vento Oeste, e Hyacinthque

10 comentários:

Assis Freitas disse...

evocações e invocações, a sua poesia precipita


abraço

aeronauta disse...

Você sabe o quanto gosto de seus poemas! Esse é um dos meus preferidos! Bjos.

Marcus Vinícius Rodrigues disse...

Lindo!!

Nilson disse...

Uma surpresa duplamente grata: mais um poema seu, o que é sempre como uma revelação; e a constatação de que o Leitora segue, porto seguro para quem anda à deriva no mar da blogosfera!

Mai disse...

Excelente!
Cometa mais vezes este belo delito. Brinde-nos com seus poemas.

abraços e bom domingo!

Marcus Vinícius Rodrigues disse...

o final do poema dá uma bela epígrafe

Mas se ele dobrar a esquina
e voltar com o ontem,
quem sabe traga os deuses
e eles me contem.

Já é meu. Vou usar.

gláucia lemos disse...

"Quem sabe os deuses me contem..."
Também quero que me contem. Que beleza, Gerana, tão expressivo. E vc guarda e não mostra, egoista!

Fernando Campanella disse...

Você é poeta, e eu não sabia. Que maravilha, Gerana, parabéns. Tenho algo com os deuses em mim também, e às vezes recorro a eles, quando algum encantamento quero que me contem.
Olha, envia o poema do e.e.cummings pra mim na tradução que vo disse ser a melhor que já viu, eu gostaria de passá-la para o blog. Meu e mail é nandoc21@yahoo.com.br.
Abraços.

José Carlos Brandão disse...

O poeta contempla do alto. Parabéns, Gerana.

claudio rodrigues disse...

O vento guarda segredos na sua inquieta invisibilidade. Os deuses mandam recados por ele? Vamos chamar o vento!