sábado, 11 de setembro de 2010

A POSSIBILIDADE DE UMA ILHA


Gerana Damulakis

Um escritor implacável, com textos cortantes, que trazem o modo de ser das pessoas nos dias atuais, usando uma crueza, por vezes demasiada, mas que sabemos verdadeiras. Do romance A possibilidade de uma ilha (Record, 2006), de Michel Houellebecq:


... entre um homem e uma mulher subsistia sempre, apesar de tudo, alguma coisa: uma pequena atração, uma pequena esperança, um pequeno sonho. Fundamentalmente destinada à controvérsia e à divergência, a palavra permanecia marcada por essa origem belicosa. A palavra destrói, separa, e, quando entre um homem e uma mulher não subsiste senão ela, considera-se corretamente que a relação está terminada. Quando, ao contrário, é acompanhada, suavizada e de certa forma santificada pelas carícias, a própria palavra pode assumir um sentido diferente, menos dramático e mais profundo, o de um contraponto intelectual autônomo, sem objetivo imediato, livre.


Ilustração: Summer Evening, de Edward Hopper (1882-1967).

18 comentários:

betina moraes disse...

meu deus! que texto!

excelente trecho, querida gerana, sem dúvida terei o livro.


[adoro o hopper!]


um beijo.

Bípede Falante disse...

Não conheço esse escritor. Adorei o trecho. Super provocativo. Vou procurar.
bj.

Assis Freitas disse...

A possibilidade de uma ilha, o título lembrou-me John Donne e o homem cercado de palavras, quem é a ilha? Não conheço o Michel, mas já gostei,


abraçõ

Caio Rudá de Oliveira disse...

Recentemente li uma notícia de que ele estava sendo acusado de plagiar a wikipedia...

Gi Freire disse...

Gerana
Como você escreve bem, caramba!
Obrigada pela dica, ando a procura de uma coisa no g~enero pra ler, vou procurar.
bjs , ótima dica, bom fim de semana querida!
Gi:)

Bípede Falante disse...

Eu sabia que tinha alguma coisa. Está aqui a resposta. O livro é do mesmo escritor do Partículas, mas não parece *risos*.
bj.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

ah.....
as palavras
geram e destroem mundos...

belo Hopper!

Chorik disse...

Se eu ler Houellebecq agora eu desmonto.
Beijos

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

Vá La no meu blog há um vídeo poema meu, em algum lugar vc vai se encontrar Nele

gláucia lemos disse...

Alguém poderá dizer alguma coisa que seja contrária à afirmativa deste texto? Um texto verdadeiro, lúcido e esclarecedor. é a primeira vez que leio o nome desse autor, mas como ele é claro e interessante!

aeronauta disse...

Meu Deus, que trecho fantástico!Quero ler o livro!

aeronauta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lisarda disse...

Exata e profunda percepcao!

Ana Tapadas disse...

Mais um livro para a minha lista! Título magnífico, excerto prometedor.
Beijinho, querida Gerana




(ando na labuta de abertura de mais um ano lectivo)

Carol Morais disse...

Adorei teu canto, teu espaco.
Um beijo e obrigada por compartilhar tanta beleza!

Djabal disse...

Gerana, não parece que ocorre um clarão, um raio, uma faísca elétrica ao ler o texto?
Pois é poesia em prosa. Na início dizem que era poesia, depois é que veio a prosa. E no caso dele, mesmo traduzido, ela não se perde. O som, o sentido ficam batendo em nossos ouvidos (interno e externo) e nos fazendo remoer o sentido: e concordar.
Obrigado pela partilha, e pelo bom gosto de sempre. Felicidades&Beijos.

Noé disse...

Gerana,
Agradeço a visita e palavras generosas!


Este texto que você selecionou é muito bom!

Centelhas do outro disse...

Trecho interessantíssimo. Assim como é interessante a sua capacidade de fazer recortes, de selecionar. Você realmente é excelente leitora. E crítica, claro.
Beijo.