segunda-feira, 27 de setembro de 2010

GENIAL TCHEKHOV


Gerana Damulakis

A genialidade de Anton Tchekhov está no conto que, a partir do simples, encerra um conteúdo de emoção muitas vezes torturante. "É que a intenção de Tchekhov se mascara de sutis subentendidos", segundo Herman Lima.
Penso que o sentido de seus contos está em nós, leitores. Uma frase - um trecho, uma história inteira - é como uma flecha que vai acertar o alvo, ou não. As duas frases do conto "O Bisbilhoteiro" acertam em mim:

(...) Mas não há felicidade absoluta nesta vida. A própria felicidade contém o seu veneno que vem de fora e a vulnera.
Tchekhov

Ilustração: Venus Verticordia, de Dante Gabriel Rossetti (1828-1882).

18 comentários:

Paulo Tuba disse...

Contigo sempre se aprende mais e mais. No blog de Lúcia Delorme (grande escritora), sempre a vejo, através de seus comentários brilhantes. A Literatura agradece tamanha dedicação.

Parabéns pelo seu blog. Sou mais um novo seguidor deste.

Beijos e saudações, Paulo Tuba.

Zélia Guardiano disse...

Querida Gerana
Tens razão: flecha certeira!
Talvez a consciência que temos de sua transitoriedade seja o veneno...
Beijo, amiga!

João Renato disse...

Oi, Gerana,
Gosto quando dois escritores falam algo semelhante, mas de forma diferente.
Tenho lido muito Cecília, e no Epigrama n. 2 ela diz assim:

"És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
Porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo despovoado e profundo, persiste."
Abraço,
JR.

Assis Freitas disse...

Tchekhov acertou em cheio, em nós, seus leitores,

abraço

Bernardo Guimarães disse...

...atravessou e me atingiu.

Mai disse...

Tua leitura incita, estimula a minha curiosidade.

grande abraço.

Rayuela disse...

simpleza y emoción profunda, así es.

besos*

Kovacs disse...

"Depois de se escrever um conto, deve-se cortar o início e o fim, pois é aí que nós, escritores, mais mentimos"

Anton Pavlóvitch Tchekhov (1860 - 1904).

Ana Tapadas disse...

Estamos de acordo!
Comecei a ler o autor ainda muito novinha.
Beijinho querida Gerana

Valéria Martins disse...

Querida Gerana, esse é sem dúvida um dos meus autores favoritos. Tenho um pequenino livro de contos dele, "O violino de Rothschild" que marcou a minha vida de leitora e escritora.

E também é linda a ilustração do post. Beijos com carinho

Edu O. disse...

Estava mesmo precisando de tempo para retornar aqui

Fernando Campanella disse...

O pensamento do Tchekhov provoca múltiplas interpretações. Fico com esta: a vida é um teatro de paisagens em constante mutação. Nossa felicidade depende de relações humanas, interações, e por aí vai. Mas acredito que há um veneno que vem de dentro também, nossas neuroses, carências, insatisfações. Nosso estado de felicidade é então afetado por uma série de variáveis, muitas vezes fora do nosso controle. Mas sempre vale a pena buscá-la.
Ah, já li alguns contos do Tchekhov na adolescência, e sei que Katherine Mansfield amava esse escritor, sua obra, sua sensibilidade.
Grande abraço, minha amiga.

Bípede Falante disse...

São tantas as visões sobre felicidade. No livro em que estou lendo (Antes de Nascer o Mundo), lá pelas tantas, uma das personagens diz que felicidade é uma questão de pontaria. Ou seja, de foco, de querer ver, de se concentrar, e de ir até o alvo.
Sei lá.
Felicidade é uma ideia.
bj.

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

NADA É ABSOLUTO, SENÃO A MORTE. oS CONTOS DE ANTON SÃO UMA ESPÉCIE DE FELECIDADE PARA QUEM TEM A FELECIDADE DE OS LER.
jORGE mANUEL bRASIL mESQUITA
LISBOA, 29/09/2010

Elefante de Costas disse...

No caso dessas frases, fomos um alvo parecido, me atingiram ao centro.
O adjetivo sem mais para ele foi uma outra flecha bem mirada.
Belas críticas tenho lido por aqui.
Ainda escreve no "A Tarde"? Seguirei seus textos em tela e papel.
Abraço, Gerana!

O Elefante de Costas.

Chorik disse...

Gerana, eu tenho um livro dele da coleção da Folha e não consegui terminar o primeiro conto. Dei azar?

Nilson disse...

É como diz Edu: é preciso mesmo voltar aqui, sempre. Grande Tchekhov: o veneno da felicidade!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Linda ilustração....linda demais. E acho que essa ideia é tudo. Ou algo nos captura, como uma flecha, sua rapidez e precisão, ou não, segue o curso e se finca em outro coração.