sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

UMA OBRA PARA SEMPRE


Gerana Damulakis

Há qualquer coisa no livro maior de J.D.Salinger (1919-2010), O apanhador no campo de centeio. E não é preciso ter 17 anos, ser adolescente, para entender, para sentir uma vontade danada de, talvez, senão mudar o mundo, gritar para o mundo.

O Apanhador... acompanha a vida de Holden Caulfield, jovem de 17 anos, de uma família endinheirada de Nova York. Holden é estudante de um internato, mas volta para casa antes do previsto para as férias de inverno, pois foi reprovado em praticamente todas as matérias. É nessa volta para casa, pensando na repreensão da família, que Holden vai aprofundando o que sente, como sente, dando corpo ao seu modo de perceber o que o cerca.

Uma das obras mais marcantes da literatura norte-americana da segunda metade do século XX, O Apanhador no campo de centeio é uma baliza, determinando sua contribuição como um chamamento para que se atente, se ouça, se leve em consideração a voz e o pensamento da juventude.

Diante disso, desde 1951, o romance foi se tornando quase uma lenda. E lendas foram sendo criadas em torno dele e de seu poder de influenciar, tais como a que envolve o assassino de John Lennon e também a que envolve o homem que tentou matar o presidente Ronald Reagan: ambos os criminosos estavam lendo O apanhador no campo de centeio. Jerome David, J. D. Salinger, também ganhou rótulos, virou um dos grandes mistérios da história da literatura contemporânea, graças ao seu estilo de vida, sempre recluso.

O fenômeno de 1951, The Catcher in the Rye , O apanhador no campo de centeio, foi seguido por: Nove Histórias, coletânea de nove contos publicados na revista The New Yorker entre 1948 e 1953; Franny & Zooey, com duas novelas curtas, em 1961, e Raise High the Roof Beam, Carpenters and Seymour: An Introduction, aqui traduzido, pela Companhia das Letras, como Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira e Seymour, uma Introdução, duas novelas de 1963. Os três títulos primeiramente citados são publicados pela Editora do Autor.

11 comentários:

Goulart Gomes disse...

Gerana, sei que você é muito tolerante com as diferenças, por isso ouso dizer: Salinger não faria a menor diferença para a literatura se não tivesse nascido. "O Apanhador" é um dos piores livros que já li.

BAR DO BARDO disse...

Preciso ler.

Renata (impermeável a) disse...

Li o apanhador mais tarde. Já nao era adolescente e nem estava na fase de decisões... e gostei muito!
O livro vale pelo conceito e pelo desejo pulsante de liberdade incomprendida que muitos nao sabem muito bem o que é ou nunca sentiram.

João Renato disse...

Gerana,

Eu li o Apanhador há uns 25 anos atrás, e, na época, não entendi os motivos do livro ser tão cultuado.
Talvez porque os dilemas de um adolescente norte-americano da classe alta em 1951 tenham sido um refresco se comparados aos da minha geração de brasileiros, vivendo a virada da década de 60 para 70 durante a ditadura militar (por acaso, eu nasci exatamente em 1951).
Declaro minha incompetência como crítico literário, sobretudo de prosa, mas, hoje, arriscaria dizer que o Apanhador (assim como a produção da geração beat) é um fenômeno mais especificamente norte-americano.
Não acredito que o livro tenha influenciado nem escritores nem pessoas no Brasil.
Já o livro de contos, Nove Histórias, eu gostei.

Abraço,
JR.

glaucia lemos disse...

Nunca li, mas achei que é, ou precisa ser, um motivo sério para reflexão em torno de sua influência, quando duas pessoas, se bem que indubitavelmente neuróticas, tentaram assassinar alguém enquanto faziam essa leitura.A mim parece muito sintomático negativamente. Posso estar equivocada, não o li, mas assim me parece.

Pena disse...

Notável e Perfeita Amiga:
Segui com preciosismo a sua útil opção literária que já registei.
Um Excelente fim-de-semana de sonho na companhia da sua família de sonho.
Parabéns pelo pessoa agradável e extraordinária que é e escreve com beleza de carácter GIGANTESCO.
Com amizade sincera.
Beijinhos amigos de respeito, estima e muita admiração.
Sempre a lê-la com atenção. Deve "postar" mais. Encanta.


pena

Assis Freitas disse...

Eu não discuto a literariedade do Apanhador, acho que justamente por investir contra esse canône, e propor uma literatura mais próxima do cotidiano, o livro causou tanto furor. Aliás, o Apanhador deu voz a um grito que estava entalado. É sim um livro fundamental. Abraço.

João disse...

Minha querida Gerana, não chego a concordar plenamente com o Goulart, mas Salinger definitivamente não funcionou para mim. Acho O Apanhador um bom romance de formação para ser lido por adolescentes, mas não o coloco naquela estante de livros que me marcaram. Sou mais Demian, por exemplo (aliás, um dia posto algo sobre o Hesse: ele merece).

Ana Tapadas disse...

Este eu também preciso ler. Está muito bem recomendado.
Querida Gerana, já estás preparando a festa para o teu menino? Força!
Beijinhos

Valéria Martins disse...

Minha filhota de 15 anos, que orgulho, já leu todos os livros dele, acredita? O apanhador é o que ela mais gosta.

Eu nunca li e fui tentar ler há pouco tempo mas parei. Concluí que há uma época da vida em que temos que ler este livro. Depois que ela passa não dá mais.

Beijos, querida Gerana!

Nilson disse...

Definitivamente, e com o perdão da falta de modos por aqui, o Apanhador é um puta livro! E holden Caulfield, um grande personagem do século XX. Quando li, deu vontade de ligar para o autor!