quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O CÉU QUE NOS PROTEGE



Gerana Damulakis

Quando escolhi O céu que nos protege (Alfaguara/ Objetiva, 2009), de Paul Bowles, com tradução de José Rubens Siqueira, para ilustrar minha lista dos livros lidos em 2009 que me marcaram, escrevi também sobre a sensação que um romance poderoso causa no leitor.


A história de O céu que nos protege enfatiza a busca pelo sentido da existência, mais aguçada nas pessoas que têm muito tempo livre, usufruem do ócio, passam a vida viajando, procurando, buscando, inquietando-se. Irremediavelmente, lançam-se em situações perigosas, porque se faz necessário um sentimento que desafie a rotina, algo próximo da morte. Port e Kit Moresby estão casados há 10 anos, não precisam trabalhar, rodam pelo mundo e no pós-guerra vão para a África. O deserto é o cenário constante. É no deserto que Port sente como o céu fica mais perto, como um manto protetor: o céu que nos protege. O desenrolar é a escalada da decadência, é triste, é trágico. Não irei contar a história.


Paul Bowles (1910-1999) faz parte da legião de escritores norte-americanos que levou a literatura dos EUA aos picos do reconhecimento no século XX. Seu estilo é fluente, apesar de não abrir mão da densidade, exatamente sentida a cada passo dado pelo casal durante a narrativa de seu fastio e de sua perdição.


Sobre O céu que nos protege, o Evening Standard diz tudo: “Um romance com toque de gênio, um livro de poder e alcance desafiadores, uma história de tensões praticamente insuportáveis”.
O livro foi adaptado para o cinema pelo próprio Bowles, com direção de Bernardo Bertolucci, e é muito fiel ao romance. O escritor começa narrando e aparece no começo e no final do filme, sentado no bar a espreitar.

3 comentários:

glaucia lemos disse...

Bem a tempo para me fazer interessar pelo filme. Com certeza, após irei à caça do livro. O tema é tentador e não vou perder a oportunidade de lê-lo nas palavras do autor. Obrigada pela indicação que já havia feito por telefone e agora ficou reforçada. Grande beijo, querida.

Assis Freitas disse...

Vi o filme, que por sinal plasticamente é muito bonito. Não percebi esses detalhes sobre a aparição do autor. Vou colocar na lista, a lista das ignorança como diz Manoel de Barros. Abraço.

Chorik disse...

Gerana, o filme tem uma fotografia muito bonita, mas eu não gostei tanto assim. Se bem que faz tanto tempo que eu o vi, afinal o filme é de 1990, portanto já são quase 20 anos, quem sabe eu não esteja mais maduro para entendê-lo. Quanto ao livro, não consigo ler nenhum depois que vejo o filme.
Bj