domingo, 29 de novembro de 2009

FUI


Konstantinos Kaváfis

Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui

em busca de volúpias que em parte eram reais,

em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;

fui em busca da noite iluminada.

E bebi então vinhos fortes, como

bebem os destemidos no prazer.

Tradução de José Paulo Paes diretamente do grego, ou melhor, do neogrego, o grego coloquial herdeiro da koiné (a língua comum). Kaváfis nasceu em 1863 e morreu em 1933 em Alexandria no mesmo dia e mês, 29 de abril.

Konstantinos Kaváfis/ Poemas. seleção, estudo crítico, notas e tradução por José Paulo Paes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1990. (Coleção Poiesis)

4 comentários:

Daniel Hiver disse...

Quantas e quantas vezes eu também "fui" com intuito de voltar e as distrações do caminho me consumiram.
Quantas vezes eu leitor "não me deixei prender". Quantas volúpias reais e irreais experimentei; se me lembro ou esqueço.
Quantas vezes meu cérebro forjou álibis para eu escapar de mim mesmo. E quantas e quantas vezes concluí que não existe "essa tal noite iluminada que as pessoas procuram na noite".
Talvez é por isso que eu continue bebericando meus vinhos fortes e suaves. Gostando de uns e detestando outros!

O Profeta disse...

Porque será que os pássaros
Cantam na partida do dia
Porque será que um amante ausente
Fica de alma apertada, vazia?

Porque será que as ondas lamentam
Em sussuros de sal no areal
Porque será que as rezas são feitas
Para correr para o longe o perverso mal?


Boa semana


Doce beijo

Ana Tapadas disse...

Quem escreveu isto:
«fui em busca da noite iluminada.

E bebi então vinhos fortes, como

bebem os destemidos no prazer.»

é um génio!
Gerana a tua alma grega traz-nos poetas fantásticos.
Eu quero voltar à Grécia ou a Creta neste Verão se tudo correr bem!
Beijinho

Edu O. disse...

Tive meu primeiro contato com este poeta recentemente, no curso com Elisa Lucinda, uma poesia linda chamada Itacas. beijo de Lyon.