
Gosto de viver comigo mesma,
sou minha amiga.
Quando uma saudade bate o ponto
sou paciente para me assistir
à inútil chuva dos meus olhos.
Lavar o rosto depois,
passar batom,
e ir ao cinema.
Não me incomodo de olhar o reflexo
de um sorriso gasto.
De sentir raiva
por não sentir raiva
de andar sorrindo para a solidão.
Talvez não saiba amar.
Mas é tão feia a noite
quando descubro
que ando gostando de viver comigo mesma.
Gláucia Lemos é poeta, cronista e ficcionista, autora de 33 títulos publicados. A foto traz a capa de seu mais recente romance, intitulado Bichos de Conchas (Scortecci, 2008).
7 comentários:
Ótimo poema.
Beijos
Gerana, li seu recado lá no Madame. Queria me matar de inveja, é? Poxa, foi bem bacana mesmo. Mas a dor de cabeça me deixou mal naquela noite e no dia seguinte ainda. BJ
Achei o poema meio deprê. Mas talvez seja outra coisa que não entendi. Bem, senti isso.
Beijos, Gláucia.
Também achei, Flamarion. Obrigada a você e a Fred por comentarem. Também a Kátia que não disse nada dele, mas passou por aqui. Beijos.
Houve um momento na minha vida no qual me senti exatamente assim, daí o entendimento e a empatia com o poema; além da apreciação da qualidade dele.
gostei bastante!
Um canto da vida que sempre há de se viver.
Um perfeito retrato-poema de uma certo instante de vida. Gostei muito.
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