
Não sei se a vida vale a flor que espreito
Luís Antonio Cajazeira Ramos
O que sobra é a casca da fruta
é o rascunho do texto
é o recibo da conta
é a gota no copo
é o farelo no prato.
O que resta é a pegada no piso
é o bagaço na cesta
é um fio no pente
o batom no guardanapo
o suor na camisa.
O que fica é a ruga no rosto
é a névoa nos olhos.
Na memória que foge
uma lembrança morna,
e um laivo de remorso
boiando no vazio.
Gláucia Lemos é romancista, contista, cronista e poeta. Tem 33 títulos publicados. Foto “El bosc en uma gota”, de queropere, do Flickr.
7 comentários:
A leitura impõe um ritmo musical. Vem à lembrança algo de Drummond, suponho.
Obrigado pelo comentário lá no meu conto. Beijos.
Adoro as letras da Glaucia, sempre especiais!
abraços
É, Flamarion, o ritmo tem para mim importância absoluta, tanto no verso quanto na prosa. A você e a Tita, muito obrigada pelas palavras.
Como sempre, Gláucia!
Gláucia: que alma poética, que consciência talentosa, que escritora completa!
Vilarinho e Pereira, vocês tão generosos me fazem sentir como açucar na chuva.
A última estrofe puxa pelo remorso das coisas que deixamos de fazer ao longo da vida. Belo poema!
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