
Luís Antonio Cajazeira Ramos
A Gerana Damulakis
A vida passava, o amor não chegava.
Aguardava (a esperança a guardava)
o que não acontecia, quem não vinha.
Desenhava a felicidade na fumaça das horas,
debruçada sobre o parapeito dos sonhos,
vendo a todos transeuntes do deserto,
sob a sacada das emoções perdidas.
Improvável Penélope, tecia ilusões de partida
para confins imaginários sob o lençol diáfano,
manchado do sangue virgem dos seus desejos,
satisfeitos na solidão de núpcias de nuvem.
A vida passava, a dor não chegava
ao pesar da vigília, a que o engano negava
acordar os galos e deitar os lampiões...
E beladormecia na eternidade em que se perdera.
E não se sabe que bruxa, que fada,
que fado a vida reservara a seu destino
de Cinderela das vertigens.
Este poema de Cajazeira está em Mais que sempre (Editora 7Letras, 2007), acho que fui a primeira a opinar sobre ele, daí a dedicatória. Na foto, Cajazeira e eu em algum lançamento de livro, ambos estávamos olhando para o autor enquanto este autofotografava.
5 comentários:
We should have a great day today.
Demais!!!! Não sabia, "cinderela das vertigens"... Aliás, muito pertinente...
Mais um dos deliciosos momentos de Luis. Eu quase que o sei de cor.
Amo a poesia de Cajazeira. Bj
Um poema de perfeita, mítica sedução, apelando de forma singela aos arquétipos da poesia.
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