terça-feira, 10 de junho de 2008

A IDADE DA VIDA



Carlos Vilarinho



Toda manhã
Quando nasço.
Fico inquieto,
Preso ao laço
De uma atmosfera juvenil.

Não, não me embaraço,
Somente crio semente ambulante
E tomo espaço.

À tarde, já envelhecido.
Alquebrado e carcomido.
Leio figuras e imagens
Em sonho sonâmbulo
De outros personagens.

À noitinha, de madrugada
Sem dormir e medicado
Sinto-me ontem,
com saudade e já delicado.
Cochilando de olho aberto
À espera de Caronte.




Carlos Vilarinho tem um livro de contos, está escrevendo um romance, mas também sentiu a poesia que está no ar. Será o inverno?

Foto Lukas Jakobczyk - Caronte, por brightonsinger, do Flickr.

2 comentários:

pereira disse...

Foi de arrepiar a simples nomeação do barqueiro. Gostei do crescendo que faz caminhar o poema (ou seria, em lugar de um crescendo, uma descida rumo ao Inferno). Enfim, criou uma imagem forte.

Carlos Vilarinho disse...

Pois é Pereira! O problema é avistar a proa do barco...