
Gláucia Lemos
Deixa-me partir a teu encontro
ferir a fronte no frio de junho
a te levar a cicatriz mais funda
do lenho que em meu ombro verga o dorso
e dói-me em dor de pele
em sangue e fogo.
Calvário que não chega.
Dá-me teu ombro,
nele inflamada a chaga
dessa cruz
no meu ombro levada.
Deixa-me partir
para que te tenha.
Faze-me o fim nos mesmos cravos teus
e a minha dor, em ti,
fira mais funda.
Se é o que tens que fazer
faze-o depressa.
Que junho já agoniza em frio e sangue.
Deixa-me partir a teu encontro
ferir a fronte no frio de junho
a te levar a cicatriz mais funda
do lenho que em meu ombro verga o dorso
e dói-me em dor de pele
em sangue e fogo.
Calvário que não chega.
Dá-me teu ombro,
nele inflamada a chaga
dessa cruz
no meu ombro levada.
Deixa-me partir
para que te tenha.
Faze-me o fim nos mesmos cravos teus
e a minha dor, em ti,
fira mais funda.
Se é o que tens que fazer
faze-o depressa.
Que junho já agoniza em frio e sangue.
Gláucia Lemos é ficcionista premiada, mas também é poeta e por isto topou participar desta maratona de poesia. Foto de luisbess, retirada do Flickr.
Um comentário:
Ferir a dor própria no outro mais profundamente... Teria que ser amor? Amor efêmero... Não...
Amor ferido...
Esse negócio de dor e amor, é um vai-e-vem danado.
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