segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A LITERATURA BAIANA CONTEMPORÂNEA



Gerana Damulakis



Embora se saiba que a literatura brasileira nasceu na Bahia com Gregório de Matos e os outros poetas da época, e se saiba igualmente de nomes famosos como Castro Alves, Adonias Filho, Jorge Amado, a verdade é que hoje não se tem conhecimento nos outros estados do que se vem fazendo de literatura da mais alta qualidade na Bahia.
Principalmente nos últimos anos tem havido uma intensa atividade literária com vasta produção de livros, inclusive de novos autores que, infelizmente, por circunstâncias de distribuição, não chegam às livrarias do país. Aqui, se torna necessário caracterizar a literatura baiana, porque há a literatura feita por escritores nascidos na Bahia, mas não residentes no estado; há alguns poucos que produzem na terra sem serem baianos natos; e há, finalmente, os que nasceram, residem e produzem em seu próprio solo. Tais divisões separam da realidade literária nacional nomes como Antônio Torres, João Ubaldo Ribeiro, assim como uma Sonia Coutinho e uma Helena Parente Cunha, moradores do Rio de Janeiro, de seus pares e conterrâneos que não deixaram ou que deixaram e logo voltaram para Salvador.
Ventos promissores vão, no entanto, engrandecendo a história da literatura baiana feita pelos autores que permaneceram na terra. Na peneirada do joio e do trigo, assoma o trigo na poesia reconhecida de Ruy Espinheira Filho, autor da Poesia Reunida e Inéditos (Record, 1998); nos versos densos de Florisvaldo Matos, cantando em clave épico-lírica a invasão holandesa à baía de Todos os Santos reunidos no volume Mares Anoitecidos (Imago Ed./ FCBa, 2000); na voz forte e igualmente telúrica de Myriam Fraga em Sesmaria (Ed. Macunaíma, 2000); e na poesia de Maria da Conceição Paranhos, que chega a intitular sua coletânea como Minha Terra (Edições Cidade da Bahia, 2001) para dialogar com a "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias, sendo que sua terra fica restrita ao espaço baiano. Encontra-se a marca do amor à terra, enfim, em poetas como Ildásio Tavares, Fernando da Rocha Peres, Luís Antônio Cajazeira Ramos, porque a força telúrica advinda do tema parece ser tão suficiente como a força de outros grandes temas.
O mesmo ocorre na prosa. Aliás, o conto figura ao lado da poesia como os gêneros mais afeitos aos baianos na atualidade. O talento da contística de um mestre como Hélio Pólvora, evidente em O Rei dos Surubins (Imago Ed./ FCBa, 2000), centra sua ação dramática no espaço baiano e sobre ele está colocada toda a visão reflexiva, sem desvincular, portanto, o homem das terras do sul da Bahia e da saga do cacau. A ação dramática volta-se para a capital do estado nos contos de Aramis Ribeiro Costa, tanto em seu volume A Assinatura Perdida (Iluminuras, 1996), como também em seu outro título, O Mar Que a Noite Esconde (Iluminuras, 1999). É através da visão do homem baiano e suas contingências que emerge o homem universal também nos contos de Vila Nova da Rainha Doida (Record, 1998), de Guido Guerra, na prosa límpida de Gláucia Lemos, na narrativa grapiúna premiadíssima de Cyro de Mattos, ou no conto fantástico de João Carlos Teixeira Gomes; e, ainda, na ficção de Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro.
Visto que este espaço é claramente identificado como o espaço baiano, distinguindo-o do resto do Nordeste, região a qual a Bahia pertence, a causa cultural marca presença na vivência das tradições, ora grapiúnas, próprias do sul da Bahia, ora do sertão, ora da capital. A referência assim tão explícita ao estado e ao homem enquanto personagem tão telúrico e tão enredado em ações que se acham alicerçadas nos costumes, nas lendas e mesmo na oralidade da Bahia, vem precisar as paixões, as angústias, os sentimentos que elevam o personagem à categoria de ser universal.

9 comentários:

Bruno R.Ramos disse...

Oi Gerana,
Parabéns pela postagem. Estava pesquizando os escriutores baianos contemporâneos e li sua matéria. Muito persuasiva e embasada. Espero poder aprender sempre mais com o que escreve. No momento, estou produzindo uma antologia que destaca novos escritores e entre eles "bons baianos". Raivane Sales, Carlos Vilarinho e Valdeck. Há que ressaltar a contribuição que dão ao apelo social. Gosto daqueles que demonstram engajamento e universalizam questões vividas no regional. Assim fez Guimarães Rosa, nosso mestre das Minas.
Abraços

Lidi disse...

Gostei muito desse post. Beijo, Gerana.

Ivana Karoline disse...

Oi Gerana,

Gostei muito do seu blog. Eu sou estudante de letras e escolhi fazer meu trabalho de conclusão de curso sobre a literatura baiana contemporânea. Ao ver seu blog fiquei encantada. Eu faço parte de um grupo de recitadores de poesia de Maracás-ba(Grupo Concriz) e conheço, pessoalmente, algumas pessoas que você sitou: Ruy Espinheira Filho, Florisvaldo Matos, Aleiton Fonseca, Carlos Ribeiro, Cajazeira Ramos.

Nosso grupo também tem um blog, caso deseje acessar, o endereço é: www.grupoconcriz.blogspot.com

Gostei muito do seu blog e tenho certeza que ele irá me ajudar no meu trabalho final.

Abraços!

Gerana Damulakis disse...

Sinta-se em casa, Ivana. Irei conhecer o Grupo Concriz. Obrigada pela visita.

Anônimo disse...

seu blog colocou algo que eu precisei amei seus comentarios e sobre o que vc está falando

Anônimo disse...

Good Afternoon

Awesome post, just want to say thanks for the share

davina disse...

Sou estudante de letra no campos VIII
da uneb em Seabra Bahia e acobo de fazer uma dissiplina sobre a literatua baina,naqual fiquei conhecendo varios novos escritores bianos que nao conhecia.Adorei o seu bloge.Davin

Hellem disse...

OI GERANA
EU ESTAVA PESQIUZANDO SOBRE OS ESCRITORES BAIANOS CONTEMPORANEOS,
EU GOSTEI MUITO PARABÉNS PELO TRABALHO.
TODO MUNDO DEVERIA LER ESTA MATERIA
PORQUE E MUITO BOA
BEIJÃO.........

Anônimo disse...

Oi Gerana,
Muito obrigado pelo seu pequeno resumo sobre a literatura baiana,tava precinsado pra poder fazer um trabalho de escola,e em tudo quanto é lugar no google vc não acha uma resposta fixa sobre o assunto,muito obrigado mesmo!!!