Gerana Damulakisterça-feira, 22 de junho de 2010
DO MEMORIAL DO CONVENTO
Gerana Damulakissegunda-feira, 21 de junho de 2010
A CAVERNA

Sou incapaz de destacar o título maior de José Saramago, mas costumo pensar muito no romance A Caverna (Companhia das Letras, 2000) todas as vezes, se e quando coloco o assunto das preferências.
Do meu caderno, seguem algumas passagens inesquecíveis retiradas da grande alegoria plasmada em A Caverna:
... nas circum-navegações da vida uma brisa amena para uns pode ser para outros uma tempestade mortal, tudo depende do calado do barco e do estado das velas.
... o tempo é um mestre-de-cerimónias que sempre acaba por nos pôr no lugar que nos compete, vamos avançando, parando e recuando às ordens dele, o nosso erro é imaginar que podemos trocar-lhe as voltas.
... O MAU NÃO É TER UMA ILUSÃO, O MAU É ILUDIR-SE, ...
... É difícil pensar quando não se sabe, Discordo, pensa-se precisamente porque não se sabe, ...
José Saramago
Ilustração: não encontrei os créditos na net.
domingo, 20 de junho de 2010
TRECHOS DE A VIAGEM DO ELEFANTE

José Saramago
sábado, 19 de junho de 2010
TRECHOS DE O ANO DA MORTE...

Podia ser verdade, podia ser mentira, é essa a insuficiência das palavras, ou, pelo contrário, a sua condenação por duplicidade sistemática, uma palavra mente, com a mesma palavra se diz a verdade, não somos o que dizemos, somos o crédito que nos dão.
A mais inútil coisa deste mundo é o arrependimento, em geral quem se diz arrependido quer apenas conquistar perdão e esquecimento, no fundo, cada um de nós continua a prezar as suas culpas.
O jogo entre uma memória que puxa e um esquecimento que empurra é jogo inútil, o esquecimento acaba por ganhar sempre.
Não esquecer que todas as cartas de amor são ridículas, isto é o que se escreve quando já a morte vem subindo a escada, quando se torna de súbito claro que verdadeiramente ridículo é não ter recebido nunca uma carta de amor.
A solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO (16 DE NOVEMBRO DE 1922- 18 DE JUNHO DE 2010)

quarta-feira, 16 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
"O AMOR É UMA CARTA"
Gerana DamulakisMachado de Assis de A a X - Um Dicionário de Citações (Editora 34, 2001), de Lucia Leite Ribeiro Prado Lopes, com ilustrações extraídas da Revista Illustrada de Angelo Agostini, é um livro do tipo que eu elaboraria para as frases de José Saramago que, por sinal, já estão no meu lindo caderno com capa dourada e azul, presente de minha amiga da vida inteira.
Admiro o livro e nele releio os achados do Bruxo do Cosme Velho. A ironia elegante do nosso escritor maior é, além de cortante, sempre refinada, como ao comparar o amor com uma carta:
- O amor é uma carta, mais ou menos longa, escrita em papel velino, corte-dourado, muito cheiroso e catita; carta de parabéns quando se lê, carta de pêsames quando se acabou de ler. Machado de Assis in A mão e a luva, cap. I
Ilustração: A Carta, óleo sobre tela de Alfredo Keil, pintado em 1874. Museu do Chiado, Lisboa.
