sábado, 2 de outubro de 2010

PORQUE É OUTUBRO, PAI




Ó PAI
GD
GD------------------------Por que me abandonaste?
----------------------------------Cristo


Qualquer dia, qualquer mês
e estou só.
Só as estrias de luz mostram o ar
carregando suas massas de partículas
redondas, tantas quantas são
as pessoas da multidão.
Lá fora é onde deve haver alguém.
Por que tarda?
Estou em plena tarde
sem perder o relógio de vista.
Preciso dizer-te isto, meu Pai,
que já vivo a minha tarde
e tenho medo.

Ilustração: Detalhe da Capela Sistina, de Michelangelo.

37 comentários:

Chorik disse...

Lindo poema, pungente... o relógio... fico a refletir sobre o abandono. Será que realmente somos abandonados, Gerana?
Bj

Ana Tapadas disse...

A sugestão da pintura/pormenor da nossa humanidade que quase se toca, mas todavia é solidão...e eis um belo e sentido poema da minha querida Gerana!
A tristeza suave de uma ausência querida.
Beijo

Assis Freitas disse...

poema de rara felicidade, uma verdadeira prece, no seu sentido mais elevado. reproduz essa sensação de vazio, por que não dizer atávica à condição humana, acompanhada da percepção inconsolável dos nossos desígnios.


grande abraço

aeronauta disse...

Gosto muito de sua poesia, Gerana, muito. E esse poema é profundamente lindo no que tem de mais largo amor.

Zélia Guardiano disse...

...que já vivo a minha tarde e tenho medo...
Que lindeza, Gerana!
Ai, que esse Pai pode e deve ouví-la...
Grande abraço, todo entremeado de admiração!

Bípede Falante disse...

Nossa, G. Fiquei gelada. Até as minhas bochechas sentiram um arrepio. Não sei nem o que dizer dessa saudade, desse medo e desse desamparo.
bj.
BF

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE


ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE ENEMIGO A LAS PUERTAS, CACHORRO, FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER Y CHOCOLATE.

José
Ramón...

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...luce
aura de
escarcha
otoñal,
en tu paso
para
agradecerte
tan bellas
palabras
a mis HORAS ROTAS...


CON afecto GERANA :


j.r.s.

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Em.tarde.ser...
Mas que tarde é?!
Se o tempo, algoz
Do corpo só não a.tinge
A alma em nada
Pra quem é imortal
[Pra alma]
Ele [tempo] não faz
Sentido algum
A verdade se impõe
Ceda, nunca tarde...

;)

João Renato disse...

Tocante, mas sobretudo corajoso, Gerana.
JR.

dade amorim disse...

lindo o poema, Gerana. E profundamente humana a expressão desse desamparo. Comovente.
Um beijo afetuoso.

Marcus Vinícius Rodrigues disse...

lindo!

Marcantonio disse...

Sim, um belo e dolente poema, desses que têm densidade espiritual. E, ao meu ver, o Assis teve a felicidade de descrevê-lo de forma precisa.

Abraço.

CAROLINA CAETANO disse...

Gerana!
Eu ainda não havia lido uma poesia tão sua.
Agora eu gosto imensamente mais de você!

Caio Rudá de Oliveira disse...

Sempre quis ler algo da GD. Gostei. Li e estou satisfeito, porque li e gostei.

Gi Freire disse...

Lindo Gerana!
bj
Gi

O que é isso? disse...

Me emocionei, Gerana. Escrevi no blog O Corpo Perturbador sobre isso tb. Estamos juntos nessa.

M. disse...

É lindo e doloroso. Bjs.

betina moraes disse...

emocionante, querida gerana,


uma voz (quase oração) que fala por nossos corações...

tocou-me profundamente.

um beijo

Jefferson Bessa disse...

Li e reli. Gostei muito. Espero ler outros poemas seus no blog. Um beijo. Jefferson.

Paulo Tuba disse...

Doridamente lindo. Você conjuga expressões metafóricas de forma muito hábil. Não conhecia sua poesia, e através desta mostra que conhece e entende do riscado. De uma pungência lírica muito boa além de um ótimo ritmo, na fluência precisa nos versos livres. Parabéns pela peça lírico-elegíaca muito bem plasmada. Paulo Tuba.

Maria Muadiê disse...

muito lindo.

betina moraes disse...

gerana,

uma oração.

a poesia, quando feita aos moldes sentimentais de um grande poeta, é oração em si.

muito bonito.

um beijo, querida.

Rayuela disse...

me inclino ante los versos de GD

besos*

Mai disse...

É você, um grande amor e uma discreta, porém imensa sensação de desamparo. (nessas horas parece até que voltamos a ser criança)Mas a poesia é de gente grande.

beijos

Flamarion Silva disse...

Muito lindo seu poema, Gerana. Passa forte sensação de desamparo.
Beijo.

cristinasiqueira disse...

Oi Gerana,

Que espaço sensível e genial.
Entre livros senti-me em casa.
Com um tempinho venha me visitar.
www.cristinasiqueira.blogspot.com

Com admiração,

Cris

cduxa disse...

Sentida homenagem ao Pai.
Existem feridas que o tempo não consola.
Um Xi

Lua Nova disse...

Também vivo minha tarde e também tenho medo!
Sensibilíssimo.
Gostei muito dos teus textos.
Beijokas.
Seguindo...

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Gerana
me deu um frio, um aperto no coração. Triste, agoniado, seu poema é uma confissão corajosa desse outono das nossas vidas.

Medo... quem não o sente?

Gerana, cada vez mais me sinto próxima de vc!

Lisarda disse...

Preciso dizer-te isto, meu Pai,...
O diálogo persiste.
Um poema verdadeiro, cheio de amor.

Kovacs disse...

Muito lindo e merecedor de estar compartilhando o espaço com os clássicos que encontramos nesta página. Obrigado por nos mostrar a Gerana escritora!

glaucia lemos disse...

Gerana, poeta, de tudo o que já li de vc, nada me punge mais que este poema. Ele é cheio de sangue, de vida, por isso mesmo de uma dor que penetra fundo no leitor. O medo manifesto no final se torna um medo de quem o lê, associa-se aos medos que todos temos ocultamente, com pudor de confessar. Tenho medo... Eu também.

Lidi disse...

Gerana, confesso com pesar: nunca tinha lido uma poesia tua. Essa foi a primeira. Agora, confesso, com alegria: amei demais. Linda e dolorosa, como comentou M. E como me identifiquei com teus versos! Parabéns! Bjs

Ana Liese disse...

Lindo, de me fazer chorar.

José Carlos Brandão disse...

Precisa publkicar mais poesia, Gerana. Este é um poema em tom maior - a angústia humana diante do cosmo, do destino, do eterno.
"Eu já vivo a minha tarde" - muito forte.
"e tenho medo" - força e dor. Lembro Drummond: "Na verdade temos medo, / nascemos escuro."
O escuro nos apavora. "É tarde, é muito tarde" - costumo me lembrar destes sintagmas de um sermão de Monte Alverne.

Nilson disse...

Atrasadíssimo pra saudar o teu poema: culpa dessa minha intermitência na blogosfera. Um poema de fé e intensidade - um poema forte! Vc precisa mostrar mais!