quinta-feira, 11 de março de 2010

POUND E WHITMAN: UM PACTO



Gerana Damulakis

Ezra Pound fez um poema para declarar um pacto com o poeta Walt Whitman, depois de ter sido seu crítico por muito tempo. Lá, no blog Mínimo Ajuste, coloquei um poema de Whitman e, a seguir, também farei uma postagem com Ezra Pound: para manter o pacto.

UM PACTO

------------Ezra Pound


Eu faço um pacto com você, Walt Whitman –
Eu lhe detestei o suficiente.
Eu venho a você como um menino crescido
Que teve um pai cabeçudo;
Eu sou velho o suficiente agora para fazer amigos.
Foi você quem cortou a madeira nova,
Agora já é tempo de esculpi-la.
Nós temos a mesma seiva e a mesma raiz –
Que haja comércio, pois, entre nós.

Ilustração: Ezra Pound, painting by Wyndham Lewis, 1938-39. The Granger Collection, New York,

22 comentários:

José Carlos Brandão disse...

Uma prova de que sempre pode haver diálogo entre poetas.
Um grande abraço.

Jefferson Bessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gisele Freire disse...

Já tinha saudades de vir aqui :)
Adoro os dois poetas, e bastante o Ezra, claro que o que está traduzido, pois não entendo a língua dele. Na minha adolecência, eu vivia com um livro de poemas do Ezra Pound e recitava em voz alta para as minhas amigas rs:)
Este quadro que postou é lindo.

Bjs querida, nunca me arrependo de vir cá, sempre tem do melhor !

Gi

Assis Freitas disse...

Que haja comércio. Incrível a forma de estabelecer convivência literária. Na raiz. Abraço.

Kovacs disse...

Só leio coisas boas por aqui. Não é qualquer blog que publica Ezra Pound, parabéns!

João Renato disse...

Olá, Gerana,
Embora não tenha tanto conhecimento de história da Poesia quanto gostaria, acho que Whitman foi mais do que o lenhador da madeira que Pound pretendia esculpir.
Li a tradução da primeira edição do "Folhas na Relva" e achei que é um livro que, além de imenso, foi escrito com uma intenção de grandeza; é poderoso como uma IXª Sinfonia.
Para manter as metáforas agrônomas, eu diria que ele não só derrubou a madeira mas também plantou uma floresta em seu lugar.
Abraço,
JR.

Fred Matos disse...

"Eu sou velho o suficiente agora para fazer amigos"

Este verso vale por todo um tratado de psicologia.

Ótimo fim de semana, Gerana.

Beijos

Mai disse...

Um pacto maduro.
Não conhecia, Gerana.

abraços

Manuel Anastácio disse...

De quem é a tradução?

Pena disse...

Doce e Linda Amiga:
Walt Whitman fez parte das minhas delícias de juventude.
Sabe, é linda ao dar-lhe vida.
Adorei. Majestosa. Perfeita.
Escreve com brilhantismo imenso e um manancial de cultrura que possui em si gigante.
Parabéns sinceros.
Beijinhos amigos de respeito e estima.
Com constante admiração por tudo o que confecciona com ternura.

pena

MUITO OBRIGADO pela sua amizade. É de ouro puro.
Bem-Haja, fabulosa pessoa que é um ser humano raro e extraordinário.
É uma honra dizer alguma coisa aqui.
OBRIGADO!

A Itinerante - Neiva disse...

Oi Gerana,

Que blog é este, Mínimo Ajuste? É seu? Qual o end? Quero ler.

Adoro os dois. Por que brigavam?

Beijos

A Itinerante - Neiva disse...

Já encontrei.

Whitman causa-me sempre um grande impacto.

Beijos

Nydia Bonetti disse...

Lições a serem aprendidas. Nunca se está velho demais pra se fazer amigos, reconhecer equívocos, fazer pactos e poesia. :)

Também ando na maior correria, Gerana. Estou tentando pôr as leituras em dia, mas está difícil.

Bom fim de semana, abraços!

Nilson disse...

Belo poema. Grande Whitman, grande Pound. Conheço mais o primeiro: pra mim, o cara que encarnou a poesia como ninguém. E como é honesto esse pacto proposto por Pound!!!

Ana Tapadas disse...

Pactos assim...são feitos de vida!
Beijinhos Gerana, amiga.



*ando mergulhada em provas!

Lisarda disse...

Nobre e infreqüente atitude, ista de Pound. É impossível negar a Whitman, pai, em diversas tonalidades, de Neruda, Borges, Ginsberg.
Um abraço.

Nilson Barcelli disse...

Essa situação só prova que nunca é tarde para restabelecer a paz entre as pessoas.
Querida amiga, um beijo.

Fernando Campanella disse...

'Eu sou velho o suficiente para fazer amigos', realmente isso é um achado, e vale por todo o poema. Sá não gostei do 'pode haver comércio entre nós', estranha esta metáfora da madeira, de vender a mobília, rs... Mas, enfim, não conheço quase nada do Pound, mas sei que o que leio do Whitman é maravilhoso, acredito que seja identificação de alma.
O que o Brandão disse está certíssimo, 'uma prova de que sempre pode haver diálogo entre poetas'.
Um abraço.

glaucia lemos disse...

Às vezes criticamos aqueles que não fazem o que gostaríamos que fizessem. Por que não entender que cada qual tem direito a sua linguagem, à sua expressão, a seu caminho? somos indivíduos, portanto, únicos, indivizíveis, resta-nos respeitarmo-nos, e viver, ha espaço para todos.

Anônimo disse...

Só faltou dizer de quem é a tradução. É sua, Gerana?
Daniel Bonfim

Gerana Damulakis disse...

Daniel
A tradução é minha, mas sei que é muito literal. No blog Da Condição Humana (entrada pelos meus favoritos), o poeta Manuel Anastácio fez e postou uma ótima tradução deste poema.
Abraço.

Valéria Martins disse...

Bacana, não sabia de nada disso!