sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O NASCIMENTO DOS DESEJOS LÍQUIDOS


Gerana Damulakis

Não entendo e nem procurarei entender uma associação que surgiu em mim: O nascimento dos desejos líquidos, de Salvador Dalí, a obra acima, de 1932, e o poema "Fera" de Carlos Drummond de Andrade, do livro Farewell (Record, 1996).
Pontes que são criadas sem sabermos a razão. A ponte aqui estaria na sensualidade presente em ambas as obras? Escrevo outra vez para sentir: a sensualidade do poema de Drummond (o Drummond "tigre" dos poemas de Farewell) e a sensualidade dos "desejos líquidos" de Dalí. Tão boa a sensação. Não é preciso entender.

FERA
-------Carlos Drummond de Andrade

Às vezes o tigre em mim se demonstra cruel
como é próprio da espécie.
Outras, cochila
ou se enrosca em afago emoliente
mas sempre tigre; disfarçado.

7 comentários:

Pena disse...

Belíssima e Encantadora Amiga:
Um texto sensível, delicioso, de ternura visível e manifesta.
Que doçura e pureza extraordinariamente bela.
Possui uma sensibilidade poética que maravilha e encanta.
Deslumbrantes escolhas de requinte e apurado bom gosto.
Admiro-a pela beleza que coloca em tudo o que faz com encanto e pureza.
Parabéns sinceros.Um belíssimo Post de estarrecer e de maravilhar. Excelente!
Adorei.
Beijinhos amigos pelo seu enorme talento e fascínio.
Sempre a respeitá-la e a admirá-la.
Sensibilizado por tanto bom gosto faço-lhe uma vénia numa atitude de veneração perante o seu sentir doce.
Agradecido pela ternura da sua visita.

pena

Bem-Haja, perfeita poetiza de sonho.
É linda, sabia?

Andresa Scucuglia disse...

Gerana,
Você conectou duas feras. Ao ler seu post, também fiz uma ponte e vou sugerir que você assista a esse vídeo que, apesar de ser antigo, descobri recentemente: http://www.youtube.com/watch?v=GU_f2vqEgGM&feature=PlayList&p=D0C61EA32A55CE0E&index=0 . Chama-se DESTINO e é uma parceria entre Dalí e Walt Disney.
Espero que você goste.

Nydia Bonetti disse...

Entender para quê? Melhor sentir...

Beijooo

Marcus Vinícius Rodrigues disse...

Gerana,

Quantas pontes!
Vou lhe contra as minhas:

Os desejos líquidos me remeteram diretamente ao poeta Eugénio de Andrade, meu poeta preferido, quase um fetiche. Queria colocar aqui no comentário algum poema dele em que está presente a metáfora da água. Com os livros em bagunça, não acharia em tempo confortável. Busquei um texto meu na internet, que poderia conter algum poema: o texto tem como título justamente O corpo líqüido (http://www.inventario.ufba.br/01/01mvinicius.htm). Lá acabei me deparado com um trecho de poema que diz;

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
Já não se passa absolutamente nada.

Veja que “coincidência”. Meu querido poeta usando a expressão “meu amor”. Claro que isso inspirou mais um poema da série de mesmo nome lá no blog Café Molotov (http://cafemolotov.blogspot.com/), eu que achava que a série já se tinha esgotado.

Obrigado, Gerana.

Deixo um pequeno poema de Eugénio:

Vê como o verão
subitamente
se faz água no teu peito,

e a noite se faz barco,

e minha mão marinheiro.

Assis Freitas disse...

O título do quadro de Dali já é um poema. A Drummond nada cabe decir. Tão belos: eis o tudo, enfim. Abraço.

gláucia lemos disse...

Para que entender, querida amiga? A arte não precisa de raciocínio, sim de emoção. Um dia eu disse a uma pessoa que confessava gostar de mim: cuidado com as palavras, olhe que eu posso acreditar! e ele em resposta: Não precisa acreditar, basta sentir.Faz sentido, não?

maria guimarães sampaio disse...

valeu!