domingo, 30 de agosto de 2009

POEMA DE MARIA LÚCIA MARTINS

GD

A poesia de Maria Lúcia Martins foi mais uma vez reconhecida: este ano ganhou a publicação de Conversas da noite, pelo Concurso do Banco Capital.
Segue um poema publicado na revista da Biblioteca Nacional, Poesia Sempre.

INTERVALO

------ Maria Lúcia Martins

Intervalo, desistência
– diria ao meu homem – soubesse
marcá-la entre o sexo e sonho,
entre a mulher e a menina.

Todo intervalo é infinito
entre um traço e o que se finda.
Incontáveis cicatrizes,
tempo de gozo e destino.

Qu'alma, sumo e sede de tua
vida, me espelhe, à face clara
de um lago, inda assim, sinto
a desistência no tempo

– tão desvelada – intervalo,
por conquistas de silêncio
e águas do mais profundo.

6 comentários:

anna disse...

O livro mereceu o prêmio, é excelente.

glaucia lemos disse...

Poesia suave como um barquinho deslizando tranqulo em superfície de águas pacíficas.

Pedro disse...

Poesia suave e bela, eu completo.

glaucia lemos disse...

Reli, Maria Lúcia, e como que descobri um encanto que nao percebera tanto na primeira leitura, o da terceira estrofe. Comovente. Ler e reler sua poesia é ir desvendando um certo encanto velado.

pereira disse...

Realmente, o poema ganha com releituras.

Gerana Damulakis disse...

Lúcia, além de querida, nós sabemos que é verdadeira poeta. Parabéns pelo prêmio, pelo livro e, sempre, por sua poesia.