quarta-feira, 13 de maio de 2009

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Gerana Damulakis

As aparências enganam, dizem e banalizam por muito dizerem, mas não acreditam realmente. É verdade, porém. Assim foi que gostei imensamente do artigo de Roberto Pompeu de Toledo na revista Veja, de 06 de maio de 2009, com o título “Três modelos sexuais”, quando ele aborda as figuras de Fernando Lugo, ex-bispo, atualmente presidente do Paraguai e pai de três filhos (até hoje, amanhã pode ser que mais filhos tenham aparecido), Jacob Zuma, novo presidente da África do Sul, ímpar em tantos aspectos e, finalmente, Susan Boyle, “o charme do sexo zero”. Para Toledo, todos “ofereceram ao público evidências de que, por trás das aparências de uma pessoa, pode pulsar uma outra, surpreendente, espetacular”.
Fiquei pensando em Marilyn Monroe e no modo como fixaram rótulos para ela. Os filmes nos quais atuou, sempre como loira burra, fútil, interesseira, com um cérebro igual a uma casca de noz, contribuíram para uma imagem tão errada que, ao fim e ao cabo, ela mesma não suportou ser vista unicamente daquele jeito. Entretanto, ela pensava, e como pensava. Há colocações interessantes deixadas pela loira platinada e gostosona. Ela era uma leitora (adorava Walt Whitman e as Folhas de Relva), e ela era, segundo a própria, assim como uma construção, um edifício já erguido, onde faltavam as fundações.
O assunto me toca porque senti muitas vezes juízos errados sobre certas coisas. Imagine uma criatura que andava pela faculdade (Federal!) em cima de saltos altíssimos. A maioria me achava, de pronto, uma esnobe. Por que jamais alguém pensou: “Ela deve ter complexo por medir apenas um metro e sessenta e dois”? Depois, conhecendo de perto, invariavelmente me diziam como estavam enganados, que de metida eu nada tinha. Sigo em cima dos saltos e, juro, é só porque tenho 1,62 m. Uma bobagem minha e quem quiser que pense o que quiser!
Erros de avaliação são comuns e temos que ir aprendendo a conviver com eles. Melhor seria, no entanto, aprendermos o lugar-comum da expressão nos moldes colocados por Toledo, ou seja, vamos procurar evidências, “evidências de que, por trás das aparências de uma pessoa, pode pulsar uma outra, surpreendente, espetacular”. Enfim, vamos olhar e ver. Há tanta surpresa!

"Marilyn Monroe reading Leaves of Grass, de Walt Whitman": retirado do blog O silêncio dos livros.

4 comentários:

Renata Belmonte disse...

A Marilyn Monroe era uma mulher brilhante. Recentemente, vi um documentário sobre ela e fiquei impressionada. Pena que poucos sabem que ela não era uma "loura" burra.
Bjs, querida.

Renata Belmonte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pereira disse...

Loura ou loira? Tanto faz.
De acordo c a etmologia da palavra o correto seria loura, mas houve com a evolução da lingua uma sinclope no fonema u transformando-o em i, como nos falantes temos tendência a falarmos de maneira mas fácil, acabou ficando o loira e os dicionaristas aceitaram em seus dicionários.

aeronauta disse...

Graças a Deus, as pessoas não são o que (mediocremente) imaginamos!