
Há natáis que pedem poemas.
Outros não.
Os que pedem, pedem
Poemas de luz celeste em terra escura.
Outros não.
Os que pedem, pedem
Sofrimento em grossos traços de doçura.
E em gritos no tom que eclode
No peito frágil que enfim respira.
Outros não pedem.
Não podem. Não querem. Não são.
Outros não.
Há natáis que pedem o segredo
Que a luz aos sábios segredou
E que em caixinhas guardados
Em ouro, incenso e mirra se disfarçou.
Um traz silêncio, que ele dorme.
Um traz aviso, pelo perigo.
Outro, novidade, que o menino ignora.
Porque é de poema o sobreaviso, o aviso e a demora.
Ou não.
Manuel Anastácio é o poeta que assina o blog Da Condição Humana, cuja entrada pode ser feita pelos meus "Favoritos", ou com o endereço: http://literaturas.blogs.sapo.pt/
Foto do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, de Sweet Painting, retirada do Flickr.
7 comentários:
Mais um ótimo poema de Manuel Anastácio, poeta que está na antologia "Os Dias do Amor", Ministério dos Livros, a sair dia 23 de Janeiro de 2009.
Vicktorya: exclui seu comentário porque você deixou seu e-mail e isso não é bom.
É isso mesmo, há natais e natais. Um belo jogo com as voltas da vida, como estamos a cada Natal. Foi assim que percebi o poema; talvez, ou melhor, seguramente, devo estar percebendo com o estado de ânimo do meu momento, neste Natal. Gostei demasiadamente dos versos.
"Porque é de poema o sobreaviso, o aviso e a demora": que verso rico!Parabéns!
Demais! E isso eu já disse a Manuel lá no Da condição humana. Poeta é poeta, e ele se garante. Pereira, você "se sumiu-se" como dizia minha neta quando mal sabia falar. Não deixe o mau momento se intrometer no seu Natal. Nada é insuperável. O ano novo sempre é novo, acredite nele. Beijo. Gláucia
Gerana: Iremos todos ao lançamento, já que o poeta Manuel é, além de ótimo poeta, fiel colaborador do seu blog.Em tempo: Passe a livraria ou o espaço cultural pra gente.
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