
A saudade reside em meu portão.
Às vezes entro e saio sem notá-la.
Quando a encaro, porém, falta-me a fala.
Não há palavras para a solidão.
Terrível o lugar de seu plantão.
Sentinela invasora, não se abala.
Se entro ou saio, fuzila-me sem bala.
Caso contrário, prende-me no chão.
Tento ficar em casa em companhia.
Tento entrar e sair acompanhado.
Mas seu olhar me caça noite e dia.
Penso mudar de casa e dar um basta.
Mas nessas horas ela adianta o fado.
Mais se aproxima, e tudo mais se afasta.
Luís Antonio Cajazeira Ramos é autor de Fiat breu (Papel em Branco, 1996), Como se (Editorial Letras da Bahia, 1999), Temporal temporal (Relume Dumará, 2002) e Mais que sempre (7Letras, 2007).
2 comentários:
Luís: mostrei para Aramis, que também adorou. Parabéns!
Você faz sonetos perfeitos. Tenho que parabenizá-lo.
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