
Gláucia Lemos
Roubam meu deus, meu corpo,
minha hora do sono.
meu sangue roubam. E ruem
as sílabas sutis da minha prece.
O riso e o vigor que remanesce
rompem a fio, desfazem-nos em febre.
Só não podem roubar este meu rumo.
Este travo no dente que me impele,
esta trilha riscada em minhas veias,
este poder de ir de olhos vendados
e retomar o passo após o risco.
Só não podem roubar esta certeza
de que sou como o ímpeto dos rios.
Só não podem secar-me a correnteza.
Gláucia Lemos é romancista, cronista, poeta. Depois do recente lançamento de seu romance Bichos de conchas, dá um mergulho na poesia.
2 comentários:
Nossa, adorei a poesia. Dá uma sensação de angústia sabe? Auqelas poesias que fazem "mergulhar".
Adorei!
Beijos
Poema realmente forte, cumpre o que o título promete. E levanta dentro de nós uma vontade de lutar para não nos roubem.
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