
para Isis
este frio que cresce no meu plexo
é léxico de uma língua antiga e rara
almenara tatuada na minha pele
a noite é de lã um manto negro
o meu mais cálido agasalho
de saudades e ausências salpicado
nenhuma palavra perfura o aço
nenhuma açoita o tempo
nenhuma funda a eternidade
mas aquele léxico diuturno
forasteira luz do meu vocabulário
penetra cada fresta do manto
e canto um monótono mantra
trama sânscrita desta escrita
negra etérea noite infinita.
Fred Matos é autor de Melhor que a encomenda (FUNCEB, 2006). Foto "There's that Mantra again", por biffybeans, retirada do Flickr.
4 comentários:
Muito bonita a poesia!
Abraços
Obrigado, Tita, pela leitura e comentário.
Obrigado, Gerana, por publicar.
Beijo-as
Gostei da sintaxe, da sonoridade e do ritmo.
Parabéns, Fred.
Obrigado, Flamarion.
Abração
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