
Manuel Anastácio
Está quieta. Não te mexas.
Ignora-me.
Demora-me.
Enterra-me.
Distende agora os membros sobre o chão.
Pensa que o teu corpo é uma prisão.
E não tenhas dúvida de que o é.
Esteja quieta. Não se mexa.
Me ignora.
Me demora.
Me enterra.
Distenda agora o peso pelo chão.
Pense que seu corpo é metal em fundição.
Nem duvide, porque é.
Está quieta. Não se mexa.
Ignora-me.
Me demora.
Espreguiça-te lentamente, ao chão rente.
Levante-se agora.
Ignora-me.
Demora-me.
Enterra-me.
Distende agora os membros sobre o chão.
Pensa que o teu corpo é uma prisão.
E não tenhas dúvida de que o é.
Esteja quieta. Não se mexa.
Me ignora.
Me demora.
Me enterra.
Distenda agora o peso pelo chão.
Pense que seu corpo é metal em fundição.
Nem duvide, porque é.
Está quieta. Não se mexa.
Ignora-me.
Me demora.
Espreguiça-te lentamente, ao chão rente.
Levante-se agora.
Manuel Anastácio assina o blog Da Condição Humana, http://literaturas.blogs.sapo.pt/; tem entrada pelos meus "Favoritos". Foto de Robert Portoquá, retirada do Flickr.
5 comentários:
Passa-nos o ritmo. E o movimento final é de relaxamento. Assim o senti.
Senti como se estivesse vendo um quadro. Um poema tocante.
Sou fã da poesia de Manuel Anastácio. Ela clama por respostas imediatas... e o leitor sente.
É um poema para ser subentendido. Cada verso um movimento ritmico. No final o relax. A sutileza do poema é realmente obra de mestre. Grande poeta esse Manuel Anastácio.
Como ser imperativo e ao mesmo tempo tão delicado? Só mesmo poetizando extraordinariamente como o fez Manuel Anastácio.
Casamento perfeito entre a obra de Maria Martins, (grato pela honra de escolher uma foto minha para acompanhar tão bela obra poética) e estes lindos versos.
Prazer em comentar.
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