
Fred Matos
desde aquela suíte do quebra-nozes
quantos anos você tinha?
treze? quatorze? quinze?
enamorei-me ao som de Tchaikovsky
você nunca me contou se naquela noite
sonhou ou não com ratazanas nem por que
só se sente equilibrada na ponta dos pés
e evita sempre que pode uma conversa séria
tornei-me ratazana das ribaltas e dos proscênios
pelo prazer de me prostrar aos seus pés maltratados
pés deformados pelo esforço do equilíbrio precário
pés que eu lavo, massageio, acarinho e agasalho
a nossa vida tem sido desde então o teatro
entre ratos será... até o seu último salto.
Fred Matos é autor de Melhor que a encomenda (FUNCEB,2006). Foto de P.B, retirada do Flickr.
5 comentários:
Poema redondo. Parabéns!
Muito bonito, início, meio e fim!
Às duas os meus agradecimentos.
Beijos.
Fred Matos.
Há poetas feitos e famosos que deixam os poemas sem finalizar, o leitor conhece versos muito bons, inspirados, e no final falta alguma coisa. Gosto dos que finalizam como você faz. Dá seu recado e por fim fecha, dá a conclusão para o sentimento expresso. Este poema é mais uma amostra do valor do poeta. Parabéns.
Vindo de você é um elogio e tanto, Gláucia, só me cabe agradecer.
Beijo.
Fred.
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