
Gláucia Lemos
Não era para você me olhar assim
com aquele olhar de tigre
de vigília.
Todos os trens partiram.
Eu sei que houvera trens.
Mas já era tão noite!
No mundo só ficou
um banco qualquer
uma sala qualquer
um frio sem termo
num olhar de remorso.
O vazio enramou-se.
Inútil olhar atrás os trilhos secos.
Ademais é outono.
Um outono sem rumo
que jamais abrirá outra manhã.
Você não sabe
que o último olhar foi como o dente
que deixou cicatriz.
5 comentários:
Você poderia aproveitar e, juntamente com o livro de crônicas, ir preparando também um livro de doces poemas. A palavra doce talvez não seja adequada porque o poema é vigoroso. Receba a palavra doce como um sinônimo para a autora.
Pereira, Sou poeta bissextina, não me acredito na medida exata para publicar um livro de poemas. Só vou usando a generosidade que Gerana me disponibiliza. "Doce" foi excelente, recebi, obrigada, vê-se que você é um cavalheiro.
Também amei este poema da Gláucia! Belo e sugestivo, as imagens avançando sobre a gente e nos tomando inteiramente, nos esvaziando e deixando-nos sós.
Delicado esse poema da Gláucia. Denso nas palavras... Mas com uma leveza sem tamanho. Adorei
beijos
Obrigada a Lima Trindade pelo comentário, Luis Cajazeira já me havia falado de você e li sua inteligente entrevista na MUITO de hoje. Onde encontro um livro seu? Igualmente a Lita Coelho agradeço pelas palavras.
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