
Onde andará o rei que tocou minha sina,
onde andará o anjo que recolheu as asas
e teceu uma trama em meu sossego?
Não enlacei um fio para prender seus pés,
não levantei porteira para guardar seu flanco.
Só lhe entreguei a jarra para matar a sede.
Só aceitei seus pés
em peso no meu ombro.
Só recebi suas asas ganhando o meu espaço,
e lhe abri meus braços
para voar seu vôo.
Entrou na minha sala
quando a ceia era servida,
trocou as alpercatas
e partiu.
Gláucia Lemos é poeta, ficcionista e cronista. Tem mais de duas dezenas de títulos publicados e é bastante premiada.
5 comentários:
Poema cuja pungência causa mais do que admiração. Um final de arrepiar. Parabéns, Gláucia!
É sempre um prazer lê-la.
Obrigada a GErana e a Pereira. é bom saber que se agrada a gente inteligente,
Que poema, tem tanto eco dentro de mim, vou postar lá no meu blog.
Imagem forte de liberdade sofrida. Muito lindo, Gláucia.
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