domingo, 12 de abril de 2009

TRÊS FICCIONISTAS NA BIENAL DO LIVRO





Dia 25 de abril, às 20:00 horas, no Café Literário da Bienal do Livro da Bahia, os escritores Aramis Ribeiro Costa, Antônio Torres e Carlos Ribeiro discutirão sobre a diferença entre escrever um romance e um conto. Os três ficcionistas têm obras nos dois gêneros literários, estando capacitados, portanto, para conversar sobre o assunto.


Foto de Aramis Ribeiro Costa: Rejane Carneiro/ AG. A TARDE

sábado, 11 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

PERSISTÊNCIA DO ESPÍRITO GREGO


Gerana Damulakis



Quando Alfred Nobel estabeleceu em seu testamento, em 1895, cinco prêmios internacionais, o Prêmio Nobel de Literatura rezava que fosse deferido “à pessoa que houvesse produzido, no campo da literatura, a obra mais proeminente de tendência idealística”. Desde então, esta expressão suscita muita discussão. Foi o caso de, por exemplo, e para ficarmos entre os gregos, Níkos Kazantzakis(1883-1957), mais de uma vez indicado para o prêmio sem chegar a alcançá-lo, mesmo que Zorba, o grego tenha obtido êxito mundial, e a Odisséia: uma continuação moderna seja uma obra de fôlego com seus 33.333 versos, sem esquecer o grande número de romances louvados como A última tentação de Cristo, Cristo recrucificado, Liberdade ou morte etc.
Apesar disso, a literatura neo-grega atingiu a validez, a importância e a repercussão universais, conforme atestam os Prêmios Nobel concedidos a dois poetas gregos na segunda metade deste século: Giorgos Seféris, em 1963, e Odisséas Elytis, em 1979, o que de resto consagra também a vitória do demotikí sobre sobre a katharévousa, ou seja, a língua oficial do estado. O demótico dos grandes escritores do século passado e do século XX, desde Solomós, fundador da literatura neo-helênica, até Kazantzákis, Seféris ou Elytis, incluindo Kaváfis, apesar de seus arcaísmos, parece ter ressuscitado a literatura que outrora fora portentosa.
Graças à tradução de José Paulo Paes, sem transcriações mais que ousadas ou inovações tradutórias, temos a oportunidde de conhecer um pouco da poesia neogrega — anteriormente JPP traduziu Kaváfis — com o primeiro Nobel da literatura da Grécia, Giorgos Seféris. Buscando sempre manter a forma e a insinuação do original, e preservando a beleza poética, já que também ele é poeta, José Paulo Paes precede suas traduções com um ensaio crítico elucidativo, plasmando um texto que visa dar um panorama expressivo da obra total.
Giorgos Seféris nasceu em Esmirna em 1900, estudou em Atenas, diplomou-se em Paris e seguiu a carreira diplomática, assim como, desde cedo, foi tomado pelo famoso sentimento de kaimós: uma saudade do passado glorioso da Grécia, ao mesmo tempo uma tristeza em relação ao presente. A obra de Seféris gira em torno do desencanto entre o ser e o não-ser: é o espírito grego que persiste em lembrar o que já foi, embora não possa voltar a existir com igual esplendor; é um impasse sem solução, representado na indiferença com que as estátuas, as ruínas, as pedras e o mar demonstram diante do tempo. Enfim, uma impassibilidade frente à angústia que consome o poeta.
Quando estreou em 1931 com o livro Strofí (Estrofe ou Viragem), Seféris já anunciava uma nova inflexão. Não apenas ele, mas a geração de 30 da revista Tà néa grámmata (Novas Letras), alardeava o novo tom poético com Katsímbalas, Seféris e Karandônis, todos eles de certa forma influenciados pela poesia francesa. O simbolismo e o intelectualismo de Mallarmé e Valéry estão presentes ainda em I Stérna (A Cisterna), livro de 1932. Daí em diante, Seféris encontra sua própria dicção, mais livre, e publica Mythistórima (Romance), em 1935, composto de poemas que “conversam” entre si. É fácil detectar a empatia da poesia do grego com a de Eliot, no entanto, apesar de haver traduzido o americano, é arriscado considerar Seféris como um epígono de Eliot ao lidar com o tema da terra gasta, porque o sentimento de Seféris é tipicamente helênico.
De 1940, o livro Tetrádhion Gymnasmáton (Caderno de Exercícios) traz o poema “A Maneira de G.S.”, iniciais do autor, cujo verso, enfatizado pela repetição, “Para onde quer que eu viaje a Grécia me dói”, diz da sua sensação diante da vida peregrina de diplomata. A tendência em usar da personificação, tal como o Pound das personae ou o Fernando Pessoa dos heterônimos, também invadiu Seféris, que criou Matias Pascal e Strátis Marinheiro, cada qual com suas características.
Mas é no livro Imerológio Katastrômatos (Diário de Bordo I) que está a obra-prima de Seféris, “O rei de Assine”, poema surgido de uma visita do poeta às ruínas da acrópole de Assine, no Sul da Grécia continental. No local, Seféris presenciou a descoberta de uma máscara de ouro e lembrou, tanto que colocou como epígrafe no poema, um verso da Ilíada onde Homero cita Assine. O poema traz de volta a questão do ser ou não-ser, da presença e da ausência, sendo, sem dúvida, dos mais bem logrados. Outro fato interessante a assinalar é o verso de Hölderlin, traduzido para o grego, no Diário de bordo I: “De que servem os poetas num tempo pusilânime?", pergunta respondida por Seféris em O Rei de Assine, quando tenta ressuscitar um tempo passado: assim faz o poeta, essa é sua serventia.
O Diário de bordo II foi publicado em Alexandria no ano de 44, em plena guerra, enquanto um pequeno volume, Tordo, de 1947, é um poemeto singular em torno de um pequeno navio, afundado pelos alemães, conservando certa porção de seus restos na superfície e a outra parte imersa na água, ou seja, excelente metáfora para o poeta versar os dois mundos, o claro e o escuro, a luz e as trevas.
Libertada a Grécia em 1945, Seféris volta para Atenas para chefiar o gabinete do governo Damaskinos e logo simpatiza com a causa de Chipre pela independência. Já em 1957, como embaixador grego na Grã-Bretanha, atua contra a ocupação britânica da Ilha de Chipre: é no poema “Helena”, do Diário de bordo III, que transparece a opinião do poeta em relação a conflitos por ideais incongruentes quando, usando como epígrafe a fala que Eurípedes concede a Helena, “Não estive em Tróia; aquela era um fantasma”, Seféris, mostra o absurdo de uma guerra travada por “uma túnica vazia”.
Em 1962, o poeta retorna definitivamente para Atenas. Traduzido para o inglês em livro intitulado pelo poema maior O Rei de Assine, ganhou o prêmio Foyle e despertou a atenção da Academia Sueca. Antes de morrer, em 1971, publicou Três Poemas Secretos (1966), além dos seus ensaios: Diálogos páno stín poiísis (Diálogos sobre a poesia, 1938); Erotócritos, 1946; Dokimés, 1948-62 (Ensaios).
De cada um dos livros de poesia, José Paulo Paes escolheu alguns poemas para formarmos uma idéia do melhor Seféris. Concluímos deste Poemas — Giorgos Seféris, seleção, tradução, introdução e notas de José Paulo Paes, Editora Nova Alexandria, São Paulo, 1995, que o poeta grego foi um vate universal que, tratando da angústia dos gregos, tratou da angústia de todos nós: o desencanto metafísico entre o ser e o não-ser.

Ensaio do livro O rio e a ponte - À margem de leituras escolhidas, da Coleção Selo Editorial Letras da Bahia.

domingo, 5 de abril de 2009

I COLETÂNEA SCRIPTUS - BALAIO DE IDEIAS

Gerana Damulakis

Os blogs têm um poder incrível de unir pessoas em torno de algum objetivo. Fazia algum tempo que eu não participava de coletâneas, mas não resisti e estou no Balaio de Ideias, com dois contos curtos, graças ao conhecimento, via blogs, que travei com Letícia Coelho, lá do Rio Grande do Sul. Confesso que acho emocionante o caminho que se faz virtualmente. A coletânea está descrita abaixo por Letícia e por David Nóbrega, ambos da Editora Novitas. A mistura de gêneros e estilos literários é notória, comum às coletâneas. vale a pena conhecer tantos autores e suas propostas, assim como valeu participar dessa emoção junto com eles. Obrigada aos dois, Letícia e David.

TEXTO A SEGUIR RETIRADO DO SITE DA EDITORA NOVITAS
Misture, contos, poesias, crônicas e prosas em um livro... Você terá um Balaio de Ideias.
São 25 escritores, cada um com seu estilo - alguns novatos no mundo das letras, outros nem tanto - compondo de forma homogênea uma Coletânea que priorizou o espaço de cada escritor e tratou a cada um como AUTOR (com todas as letras maiúsculas mesmo).
Nas 124 páginas da Coletânea, leituras interessantes, autores de vários Estados do Brasil e dois de Portugal, que nos presenteiam com textos singulares, compondo a I Coletânea Scriptus - Um Balaio de Ideias.
Para adquirir seu exemplar ou maiores informações:
http://scriptusest.blogspot.com/ ou
http://www.editoranovitas.com.br/

sábado, 4 de abril de 2009

NÂO SEI O QUE PREFIRO

Gerana Damulakis

Tenho especial paixão pelos livros de Saramago (grande novidade!), mas não sei dizer qual é o meu preferido. Muitas vezes penso ser O ano da morte de Ricardo Reis, mas guardo A caverna dentro de mim como o livro emblemático do mundo atual. Ocorre o mesmo com O homem duplicado e Ensaio sobre a cegueira, assim como Ensaio sobre a lucidez, atestados do nosso tempo e suas circunstâncias. Em caderno especial (sim, um caderno mesmo!, posso pegar nele e isso é importante) registro frases com as páginas referentes a cada romance. Li todos os livros de Saramago, inclusive a poesia (já postei uma aqui). Uma hora lá, pego o caderno, abro e tiro uma frase. Como a que vai abaixo.



"O mau não é ter uma ilusão, o mau é iludir-se..."
José Saramago
in A caverna

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O CAMINHO DA OBRA DE SOSÍGENES COSTA





Para Diogo Borges



Gerana Damulakis

É hora de olhar o que aconteceu com o nome e a poesia de Sosígenes Costa, inclusive para entender este momento, quando duas peças serão encenadas com base na sua poesia. Autor de apenas um livro em vida, Obra Poética, da Editora Leitura, publicado em 1959, e já admirado por um círculo de amigos, como Jorge Amado e James Amado, Florisvaldo Matos e Clóvis Moura, só para citar alguns, o autor prometia, na folha de rosto da edição reunida, outras obras e, entre elas, estava a Obra Poética II. Mudou-se para o Rio de Janeiro e lá morreu em 1968, no dia 5 de novembro.
Na década de 70, James Amado despertou no poeta e ensaísta paulista José Paulo Paes o interesse pela poesia de Sosígenes Marinho da Costa. Isto se traduziu numa série de esforços para inserir o poeta grapiúna na história da literatura brasileira. Surgiu a pequena antologia de poemas sosigenesianos, acompanhada de uma "Tentativa de descrição crítica da poesia de Sosígenes Costa", subtítulo do volume Pavão Parlenda Paraíso (Cultrix, 1977), obra que testemunha a admiração de Paes. No ano seguinte, àquela Obra Poética II, prometida pelo autor na folha de rosto da edição de seu único livro, foi acrescentada a reedição da Obra Poética da Editora Leitura e, mais uma vez, em volume organizado por José Paulo Paes, a Cultrix continuava editando tais trabalhos. Não ficou nisto: o poema modernista "Iararana" só figurava na edição da Leitura como "Trecho de Iararana", mas veio a lume na íntegra, ainda pela Cultrix, junto ao MEC, em 1979, precedida, mais uma vez, de um importante estudo de Paes sobre o poema.
Há, é claro, o mérito da grande poesia movendo tudo isto. Mas temos que ser justos, e reconhecer que sempre encontramos o admirador James Amado animando os projetos, não deixando que o trabalho ficasse apenas na intenção. Em vários momentos, no estudo sobre a obra feito por José Paulo Paes, constatamos como a avaliação do ensaísta está recheada de informações cedidas por James, que ajudam a completar a figura do homem e o entendimento de sua poesia. No início dos anos 90, James Amado atuou novamente como incentivador de outro estudo que resultou no livrinho Sosígenes Costa: O Poeta Grego da Bahia (EGBA, FUNCEB, 1996), com título elaborado em torno da maneira como James certa feita referiu-se a Sosígenes: "o poeta grego da zona do cacau".
Durante a década de 90, o poeta Florisvaldo Matos foi também incansável na publicação, no caderno Cultural de A TARDE, de artigos, ensaios e poemas dedicados a Sosígenes Costa. E, no final dos 90, em 1998, surgiu a Iararana - revista de arte, crítica e literatura, recebendo o nome do poema da saga do cacau, como uma maneira de prestar homenagem constante ao poeta. A revista conta com dois sosigenesianos igualmente lutadores, os escritores Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro. Em Ilhéus, quando era Secretário de Cultura, o escritor Hélio Pólvora foi responsável por edições de três livros: a reedição da obra, Poesia Completa (Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, Conselho de Cultura, 2001); a obra do Sosígenes cronista, Crônicas & Poemas Recolhidos (Fundação Cultural de Ilhéus, 2001), coletada por Gilfrancisco Santos e, ainda, uma coletânea de textos que prestam reverência ao poeta, A Sosígenes, com Afeto (Edições Cidade da Bahia; Fundação Gregório de Mattos, 2001). Por fim, um CD com poemas de Sosígenes. Tudo isto produto do monumental labor do contista de O Rei dos Surubins e cronista da coluna Conversas do Caderno 2 de A TARDE.
A admiração é a mola mestra que está fazendo crescer este rol de apreciadores do autor de "Iararana", "Duas Festas no Mar", "Tornou-me o pôr-do-sol um nobre entre os rapazes" e tantas outras peças poéticas tão surpreendentemente originais, pois nada há na poesia brasileira que se lhes assemelhe. Temos que continuar assistindo a muitas homenagens e temos que continuar espalhando a admiração pelo valor poético do autor dos famosos sonetos pavônicos, sonetos simbolistas impregnados com uma nota barroca, que encantam. Reconhecemos o poeta nascido em 1901, em Belmonte, Bahia, mas temos que reconhecer que, se hoje sua poesia está tão viva, isto se deve, para além da força de sua obra, ao empenho daqueles que não a deixaram ser vítima do injusto esquecimento.


Gerana Damulakis é autora de Sosígenes Costa: O Poeta Grego da Bahia (EGBA, FUNCEB, 1996).

quarta-feira, 1 de abril de 2009

GUSTAVO E O HAICAI NO BRASIL


Gustavo Felicíssimo produziu um ensaio sobre o haicai no Brasil e o pioneirismo de poetas baianos, que foi publicado na revista "O Escritor", edição de dezembro de 2008. Agora, Goulart Gomes pediu o texto para a revista do Poetrix que será lançada em breve.
Nascido em Marília, interior de São Paulo, Gustavo Felicíssimo reside na Bahia desde 1993. Foi aluno da oficina de criação literária da mestra Maria da Conceição Paranhos. É poeta, ensaísta e preparador de textos. Tem o blog http://www.sopadepoesia.blogspot.com/