segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O JARDIM DE VEREDAS QUE SE BIFURCAM


Os escritores dão forma, traduzem em arte, os nossos sentimentos. Quantas vezes, intrigados com a questão do tempo, não pensamos e repensamos que o agora já não é mais o agora e só o agora existe e interessa...? E tanto há acontecendo no mundo, mas apenas nosso mundo parece existir nesse momento, nesse agora.
Daí o fascínio pela arte literária, daí o espanto ao encontrar exatamente alguma aflição até então considerada particular.

Depois refleti que todas as coisas nos acontecem precisamente, precisamente agora. Séculos de séculos e apenas no presente ocorrem os fatos; inumeráveis homens no ar, na terra e no mar, e tudo o que realmente acontece acontece a mim...
Jorge Luis Borges in "O jardim de veredas que se bifurcam", do livro Ficções

Ilustração: Jorge Luis Borges por Gabriel Caprav (3ª ou 4ª vez que ilustro postagens com este Borges de Caprav).

20 comentários:

Assis Freitas disse...

o tempo sempre fascinou Borges, daí seus escritos impregnados dessa perseguição implacável, o agora é a frágil ponte entre o ontem e o amanhã,


abraço

Zélia Guardiano disse...

Querida Gerana,

Leio, leio e releio "O jardim de veredas que se bifurcam".
Quero comentar, mas sinto-me absolutamente vazia de palavras que signifiquem algo que importe.
...e tudo o que acontece acontece a mim...
Pronto!
Que dizer?
Belíssimo post!!!
Grande abraço

Rodolfo disse...

não batam mais no ceguinho

Tania regina Contreiras disse...

Gerana, já li o O jardim de veredas que se bifurcam algumas vezes. A primeira vez em que li, voltei imediatamente ao começo, fazendo esse movimento circular do tempo, que não existe. Uma excelente indicação.
Beijos

Rayuela disse...

"El jardín de los senderos que se bifurcan" es uno de mis cuentos favoritos de Borges.
Borges es así: reflexión y reflejo;la palabra exacta que nos identifica y nos espeja; el espanto de encontrarnos exactamente "allí", formando parte de ese círculo que nadie como él sabe cerrar.

Recuerdo una tarde, estando en el último año de secundaria, cuando tres amigos y yo, atrevidamente tocamos el timbre de su departamento para hacerle un reportaje para presentar en el colegio. Nos recibió María Kodama, quien en ese entonces era su secretaria.El maestro aceptó la entrevista, lo único que hicimos nosotros (que fuimos capaces de hacer) fue poner en funcionamiento nuestro grabador. Sólo él habló, mientras acariciaba su gato, hasta que decidió que nuestro tiempo se había acabado y nos pidió que nos fuéramos. Así de simple.
Esa cinta grabada pasó a manos de nuestra profesora de lengua y literatura, de donde, por supuesto, jamás volvió. Ninguno de los cuatro que estuvimos con él recordamos casi nada de lo que dijo; yo, en lo particular, nunca olvidaré la cadencia de su voz mientras hablaba del Tao.

Te dejo, por si tenés ganas de leer, un link de una revista virtual española, con la que a veces colaboro. En este número hay un cuentito mío sobre Borges.(Se llama "El hombre circular",estoy en la página 68)

http://www.graniteandrainbow.com/wp-content/uploads/2010/07/GR4.pdf

besos,Gerana, siempre es un placer venir hasta esta tu casa.

Chorik disse...

Ótima dica e o relato de Rayuela é absolutamente fantástico.

Jairo Cerqueira disse...

O passado não existe (não seria passado), o futuro... existirá, ou não; somente o agora é existente.
Obrigado pela dica, Gerana.
Bj.

Centelhas do outro disse...

Foi o homem quem criou as repartições do tempo. Este relógio ordenadamente maluco. Há o continuum.
Obrigado, sim, por sua nobre visita.

gláucia lemos disse...

Apenas o nosso mundo parece acontecer neste agora, justamente porque o nosso mundo é o mundo mais próximo de nós, no entanto, quando estendemos a vista para além do nosso universo particular, quando nos permitimos ser menos egocentristas, quase sempre nos tornamos mais generosos para com as nossas perplexidades, ao ver que o que nos acontece está partilhado a outras vidas, em mundos dos nossos semelhantes.e o agora é um agora não somente nosso mas de uma infinidade de vidas.E tudo o que acontece, acontece a nós... mas a todos também.

Lisarda disse...

Concordo totalmente com Assis Freitas: o tempo foi a obsessão capital de Borges.
Mas...há um ponto em que o agora detene-se e vira quase uma sensação de eternidade-como em "Nova refutação do tempo".

E o amor implica a anulação do acontecer temporal; Borges tém dois poemas-chave:
em umo,da juventude, escreve "habré de verte/ desbaratada la ficción del tiempo/sin el amor, sin mí"
E, num poema do livro A cifra-de 1981- tém um poema em que diz-nao lembro textualmente- algo assim como
"todo ocurre por primera vez, pero de un modo eterno/ El que lee mis palabras está inventándolas"

Obrigado, Gerana, por lembrar do memorioso e querido Mestre.

Djabal disse...

Ele sempre renova o nosso momento. Parece que é inexaurível em sua capacidade de condensar, de recriar o Aleph, e uma moeda de Zahir.
Eu, ao menos, não consigo deixar de ler uma página dele todos dia.
E você, eu também não consigo deixar de ver, apreciar e agradecer. Beijos.

AC disse...

Borges e os labirintos do tempo, marcante em parte da sua obra...

Beijo :)

Mai disse...

Sempre o tempo. Como em:
"O passado é o melhor tempo para se morrer".
E sempre oportuna é a tua leitura e aqui, os teus escritos.

Beijos


P.S.

Gerana, preciso muito me comunicar contigo. Se for possível:
mai.vega45@gmail.com

Edu O. disse...

esse tempo agora engolindo o que vai chegando aos poucos. isso me assusta tanto! isso não me deixa esquecer a morte.

Nilson Barcelli disse...

O tempo é um tema frequente para muitos escritores, seja na poesia ou na prosa.
Até eu já escrevi sobre isso...


"É o teu ser
que transborda e acrescenta o que me falta
quando penduras o tempo
nos teus beijos e me abraças."


Querida amiga, bom resto de semana.
Um beijo.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Geraninha
bem depressinha passei pra dizer que estou bem, e que vou atualizar minha leitura no teu blog, meus e.mails não respondidos, e meu blog...ufa, ando meio devagar, divagando por entre afazeres e correrias de sampa.

Mas tá muito bom....
beijo grande

claudio rodrigues disse...

Existe a eternidade, o agora eterno.

Valéria Martins disse...

Lindíssimo, Gerana! O Drummond é um poeta que consegue traduzir sentimentos de muita gente, não é mesmo? Admiro esses que são universais.

beijocas,

Fernando Campanella disse...

Kaváfis, Borges, Flaubert, que time, e que postagens maravilhosas, sempre com teu estilo, tua boa e seleta escrita, Gerana. Gostei muito.
Ah, quando tiver um tempinho, dê uma espiada no adendo que coloquei sobre o vídeo em minha mais recente postagem que tem teu comentário. Veja se gosta.
Um grande abraço, minha amiga, e obrigado pelo carinho, pela presença.

Nilson disse...

Esse conto sempre me intrigou, a começar pelo título. Borges, o interminável.