sexta-feira, 23 de julho de 2010

A VOZ DO DESEJO


James Joyce considerava seu romance Ulisses um livro sobre o homem comum e, ainda, um livro para o homem comum.
Interessante a constatação de Brenda Maddox, biógrafa de Nora Joyce (mulher de James Joyce), quando acrescenta que Ulisses é também um livro para a mulher comum, além de "ter dado a seu país e a seu século a voz do desejo feminino", haja vista o inesquecível monólogo de Molly Bloom, no final do romance. Indo mais adiante, Maddox constata que o monólogo de Molly antevê um século de vozes femininas e transpira sensualidade.
Lembrando que Ulisses traz uma variedade de estilos, um estilo para cada capítulo, o trecho abaixo é um exemplo dessa peculiaridade.

Gostaria que um homem ou outro me pegasse alguma vez quando estivesse por perto e me beijasse em seus braços não há nada como um beijo demorado e quente até a alma quase nos paralisa.
Molly Bloom, trecho do monólogo, in Ulisses, de James Joyce

Ilustração: de Egon Schiele (1890-1918).

15 comentários:

Marcantonio disse...

Ainda não pude lê-lo. Mas eu chego lá.

Abraço.

Adriana Karnal disse...

Nunca pensei Ulisses com uma alma feminina...

Djabal disse...

James Joyce, um grande curioso e um dos melhores brincalhões com o texto narrativo. Colocava enigmas e brincadeiras ao longo de todo o seu trabalho, dizendo que gostaria de ser o enigma predileto das próximas gerações. E uma capacidade inventiva extraordinária. As descrições que ele faz do seu sentimento de amor por Nora são extraordinárias. Ótima lembrança. Ele não seria o que foi sem ela. Beijos.

Gisele Freire disse...

Tá aí um livro que tenho de ler, faz tempo que ensaio isso..., e realmente ela tem razão "nada como beijos demorados e quentes..." :)
Bejin Gerana e bom fim de semana!
Gi

Assis Freitas disse...

Eu sou suspeitíssimo para falar do Ulisses e do Joyce, enfim se houvesse uma expressão seria: eis o livro.


abraço

Ana Tapadas disse...

Uma síntese perfeita!
Ler é isso mesmo: perceber os ínfimos sentidos.
Tens uma sensibilidade extraordinária para captá-los.
Beijo

Lúcia Delorme disse...

Gerana, como sempre, grande e arguta leitora. Abraços.

Maria Muadiê disse...

interessante.

pôxa, faz tempo que não leio um livro!o último que li foi o de Jacinta

Jefferson Bessa disse...

Gerana, muito bom pensar em Ulisses também como uma abertura para a voz e a sensualidade feminina. Beijos. Jefferson.

dade amorim disse...

Ulisses é um livro difícil, mas quando se consegue "pegar" o que ele propõe, é uma delícia de criatividade.

Beijo pra você.

Pena disse...

Preciosa Amiga:
O que sente, sente com vivacidade, ternura e beleza imensa o seu sentir só seu.
"...Gostaria que um homem ou outro me pegasse alguma vez quando estivesse por perto e me beijasse em seus braços não há nada como um beijo demorado e quente até a alma quase nos paralisa..."

Já registei a Lição.
Excelente Post feito com a sua ternura.
Beijinhos de fascínio e e maravilhado pelo seu Don de escrita profunda e maravilhosa de atenção no domínio das relações humanas pertinentes numa escrita fabulosa.
Com respeito e sempre a admirá-la.

pena

Bem-Haja, pela ternura expressa no meu blogue.
Parece magia quando escreve com a sua identidade sublime.
Adorei.

Rayuela disse...

Bravo, Gerana! Excelente tu post!
qué buena visión del Ulises la de Madox...


besos*

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ai Gerana, posso confessar? Nunca fui fã do JJ.

andou atarefada estes dias?

Fernando Campanella disse...

Interessante o não uso das vírgulas, isso chama a atenção, pelo pouco que conheceço do Joyce, logo à primeira leitura. Mas vamos ao que realmente interessa: ótimo o teu poder de síntese, Gerana, e mais a habilidade de focar pontos que ilustram tuas ideias. Em poucas palavras vc revelou uma faceta do universo de Joyce.
Do autor, li o conto 'Os mortos', e foi uma das coisas mais maravilhosas que já conheci.
Grande abraço.

gláucia lemos disse...

Detive-me no traço da ilustração, que perfeitos precisão e senso de proporção. Desculpe a rima involuntária...