sábado, 27 de fevereiro de 2010

"NENHUM HOMEM É UMA ILHA"

Nenhum homem é uma Ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da terra. Se um Pequeno Torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.
JOHN DONNE


John Donne(1572-1631), poeta inglês, em “Meditações XVII”, escreveu o trecho usado pelo escritor norte-americano Ernest Hemingway para intitular seu romance pungente de 1940, For Whom the Bell Tolls (Por quem os sinos dobram). A história da guerra civil na Espanha, uma guerra entre irmãos, deu origem ao filme (1943) com Gary Cooper, no papel de Robert Jordan, o norte-americano das Brigadas Internacionais, que tem por missão explodir uma ponte, e Ingrid Bergman, no papel de Maria, a mocinha do par amoroso. Só que o romance é muito mais que uma história de amor, é uma diatribe à guerra, à violência, à intolerância entre os homens, os quais não podem viver uns sem os outros: "Nenhum homem é uma ilha".

19 comentários:

Bípede Falante disse...

Adoro o filme, os atores, o livro e o poema. Adorei o post também :)

Luma Rosa disse...

A cada badalada do sino, a cada minuto na fase da terra, nascem e morrem pessoas e se John Donne dizia que a morte de uma pessoa é a nossa própria morte - o nascimento também acrescentaria algo em nós. A morte por ser algo mais marcante no campo das perdas, seria como se a humanidade perdesse uma parte dela, de sua história. E não é?

Ianê Mello disse...

Lindíssimo texto.
John Done é um exímio poeta.

Parabéns pela postagem.

Bjs.

Lisarda disse...

Uma frase-bússola.

Ana Tapadas disse...

Construiu a minha adolescência...que bom ver aqui estas referências.
Costumo pedir aos meus alunos que desenvolvam o tema : «Sou uma ilha.» - raramente conseguem negá-lo, mas os que o fazem são sempre mais maduros.
Obrigada pelas tuas palavras.
Beijinho

Assis Freitas disse...

Portentoso este poema. Um canto de solidariedade que nunca deve ser esquecido. Abraço.

A Itinerante - Neiva disse...

Gerana,

Eu amava Hemingway. O "O Velho e o Mar" era minha bíblia, minha referência sobre sobre a capacidade do ser humano de ser maior e melhor do que sua natureza.

Mas, depois que veio ao ar informações até então ocultas sobre sua participação no assassinato de mais de uma centena de pessoas durante a 2a. guerra mundial e pior, do prazer que ele sentia em matar, meu mundo ruiu um pouco.

http://queridobunker.wordpress.com/2008/08/01/hemingway/

Perguntava-me um tanto quanto aturdida: como??? Não é possível que uma pessoa capaz de escrever obras de tamanha exaltação ao melhor dos homens fosse ao mesmo tempo o responsáveis por aqueles atos e afirmações.

Até hoje não sei o que pensar, que lição tirar disto.

Realmente não sei o que pensar disto.

Abraços

dade amorim disse...

O filme é uma beleza, Gerana. Nâo li o livro, mas está na lista fatídica.
Ri muito com a história do envelope.
Queria que você me mandasse seu endereço (dedaamorimo@gmail.com) pra te enviar o meu. Mas vou logo avisando: não espere muito dele.

Beijo pra você, boa semana.

Janaina Amado disse...

Fiquei aqui pensando, Gerana, em como Donne está mais atual do que nunca, com toda essa história da física quântica. Este texto dele marcou minha vida. Ótimo reencontrá-lo aqui.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

E no entanto ele se suicida....
Sei lá, não entendo nada mesmo do ser humano.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Pois é, penso que o mundo se divide entre os que pensam que: todo homem é uma ilha, e nenhum homem é uma ilha. E o mais estranho, é que se alternam mutuamente nesse pensar. Depende da circusnstância. Ou não, não sei.

Nydia Bonetti disse...

Quantas referências importantes aqui, Gerana. Infelizmente, o homem moderno tende a se insularizar, sem compreender (ainda) que estamos todos irremediavelmente conectados. É lei. Beijoo!

Marta disse...

Nenhum!


um bjo, Gerana

Chorik disse...

Pode não ser uma ilha, mas não sei se é uma partícula do continente. Suas postagens sempre originais e altamente culturais hein Gerana!
Bjs

Nilson Barcelli disse...

Fazemos parte de um todo, de facto.
O pequeno excerto do autor é magnífico e constitui uma excelente visão da humanidade.
Querida amiga Gerana, bom resto de semana.
Um beijo.

Anônimo disse...

Gerana, adoro o Leitora Crítica. Geralmente não comento, mas é leitura obrigatória para mim. Hoje, porém, não posso deixar de comentar o 'Nenhum homem é uma ilha'. Muito belo e profundo. A história de um homem é a história de todos, a morte de um assinala a mortalidade do ser humano, assim como a Iluminação de um deles aponta para a possibilidade de Iluminação para todos e cada um. Grande. Abraços,
Ana Liése.

Fernando Campanella disse...

Esse pensamento de John Donne atravessa fronterias e tempos: verdade e beleza, eternos. Grande abraço.

gláucia lemos disse...

O livro termina dizendo que os sinos dobram por Maria. Preciso reler esse incrível e monumental romance, quando o li tinha 13 anos e me recordo de que era um volume respeitável e me impressionou muito. Tenho que relê-lo, até porque Hemingway é um dos meus ícones e um dos maiores elogios que recebi foi ler a opinião de Mário Bittencourt Calmon, filho de Dr. Jorge Calmon, que o meu LUARAL era comparável a O Velho E O Mar de Hemingway. E eu já amava Hemingway antes disso.

Anônimo disse...

" A morte de qualquer homem me diminui". Li esse poema quando tinha 9 anos e me tocou profundamente.Estava escrito no caderno da minha prima adolescente. Ontem ela partiu e me deixou diminuída.