
O nosso amor está ficando velho.
Como a velhice das ruas da infância
que me viram jogar amarelinha.
Mas quando as vejo, passados os anos,
aquelas ruas,
eu as vejo as mesmas,
com as mesmas árvores e os mesmos cães.
Aquelas ruas - ah! nunca envelhecem,
só porque são um tempo de feliz.
Está encanecendo, nosso amor.
Com a velhice dos olhos maduros,
com encontros que não nos viram juntos,
e com as verdades vivas que sabemos.
Ah, nosso amor jamais acontecido!
Esta certeza de que nunca envelhece
o que não teve hora nem espaço.
Se nunca teve início não tem fim.
É assim nosso amor que envelhece
em plena eternidade do não-feito.
Mas continua a brincar de esconde-esconde
com nós dois.
7 comentários:
"Esta certeza de que nunca envelhece / o que não teve hora nem espaço." Lindo!
Também achei, Janaina.
Poema maravilhoso!
Obrigada, a todas, pelas palavras gentis.
Belo poema, os dois versos destacados por Janaína Amado são exemplares.
Gláucia: sou sua fã, que beleza de poema, quanta imagem bonita!
Oi, Gláucia, obrigada por sua visita tão carinhosa.
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