sexta-feira, 5 de junho de 2009

LEMBRANDO DAS SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOIRA

E DA ARTE PARA INICIAR UMA PROSA

Gerana Damulakis

Certa vez escrevi aqui sobre o primeiro parágrafo de Anna Kariênina, de Tolstói, por conta de ser ele o mais interessante começo de romance: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, na tradução de Rubens Figueiredo para a edição da Cosac Naify.
Sempre trocando ideias com Aramis e sempre constatando e confirmando seu imenso cabedal literário, ele (que também tem muita leitura e muita memória) desfilou o início do conto de Eça de Queiroz, “Singularidades de uma rapariga loira” (loira com "i", mais bonito do que loura), que eu simplesmente adoro:
“Começou por me dizer que o seu caso era simples – e que se chamava Macário...”
Iniciar um texto de ficção - conto, novela ou romance - é equivalente a elaborar um convite, exige que o desejo de persuadir o leitor seja posto em ação, o que, de saída, exige também conhecimento, ou seja, leitura. Para transformar o talento em arte no papel é preciso ler muito. Estou convencida de que todo escritor deve ser, antes de mais nada, um grande leitor. É apenas a minha opinião. Que seja.

4 comentários:

Maria Muadiê disse...

Gerana,
Martha sou eu.
um beijo

gláucia lemos disse...

GErana: Não é somente a sua opinião,é voz geral a afirmação de que antes de ser um bom escritor é necessário ser um bom leitor, não resta dúvida, a única opinião que li contrária a este princípio é justamente de Gabriel Garcia Marques, de quem li,em uma entrevista, a afirmação de não ser leitor, não sentir necessidade de ler, o que me surpreendeu bastante. Mas, terá sido sempre assim, mesmo antes de se tornar o autor famoso que é?

Anabela Lopes disse...

Estou completamente de acordo consigo! Em vários aspectos: o primeiro parágrafo de um livro é de facto como um convite, quase tão importante como o título (ou talvez mais); e um escritor deve ser essencialmente leitor.
Não tinha conhecimento dessa declaração de Gabriel Garcia Marques, que Gláucia Lemos mencionou, mas faço a mesma pergunta que ela! Nunca li Gabriel Garcia Marquez, embora tenha "Cem anos de solidão" na minha estante, em lista de espera. Agora até fiquei curiosa!

Gerana disse...

Anabela: a postagem sobre leitura no Leitora Crítica não tem vínculo com o nosso debate no Da Condição Humana. Surgiu por conta de uma outra escritora que, pior de tudo, não tem leitura alguma e "se acha". Ou seja, aí não tem jeito mesmo.