terça-feira, 16 de junho de 2009

IMORTAL DA ALB

Gerana Damulakis


Foi com enorme prazer que assiti a eleição de Antonio Brasileiro para a Academia de Letras da Bahia. Ainda na indicação, aproveitei que o poeta Ruy Espinheira Filho havia levado dois livros de poemas de Brasileiro e li em voz alta aquele que já foi postado aqui por duas vezes, o simplesmente maravilhoso poema "Das Coisas Memoráveis".

Agora, além de parabenizar o mais recente imortal da ALB, reproduzo abaixo mais um exemplo desta que é uma poesia visceral e, nas palavras da poeta Myriam Fraga, "dir-se-ia que a voz do poeta, filtrada pelo sentimento do eu lírico, amplia-se à medida em que encontra ressonância no sentimento do mundo".

LIÇÃO DAS COISAS
Antonio Brasileiro

Já vão florir as rosas de setembro, tu dirás,
e ainda não sei quem sou.
Terás nas mãos os ventos amainados,
os cabelos grisalhos, os olhos grisalhos -
mas não sabes quem és.
A alma é só um barco na vitrine.
Queres chorar, não choras.
Barcos só singram.

in Pequenos Assombros (Edições Cordel, 2001).

8 comentários:

Mariane disse...

O Compartilhando Leituras está de visual novo. Faça uma visitinha, participe da enquete e dê o seu voto. Sua opinião é muito importante para sempre fazermos blogues com qualidade e conteúdo. Obrigadaaaaaa!!!

Abraços

Diogo disse...

Oi Gerana! Adorei o "cabelo novo" do teu Blog... E esse poema que vc diz visceral me emocionou muito! Ando bastante emotivo com o tempo, esse tempo que passa por nós, em nós... Bem, não quis te mandar um email, preferi vir até aqui pra dizer que acabei o texto. Vou mandar pra vc. Vai ser a primeiríssima pessoa a ler. Bj grande

claúdia disse...

Antonio Brasileiro: todo poesia.

JIVM disse...

Brasileiro é poeta das amplificações. Seus versos causam uma espécie de êxtase permanente. A ALB imortaliza-se com a entrada de Brasileiro.

gláucia lemos disse...

Há poemas que desejaríamos ter escrito, tão próximos os sentimos de nós. Este de Brasileiro é um deles. Suave como um carinho, nascido de dentro da alma.

aeronauta disse...

Aos quinze anos, lá no interior das Lavras, no meu caderno de poesia tinha um poema de Brasileiro, recortado do jornal. Anos depois o conheço, como amigo e professor.
A poesia de Brasileiro é sempre um grande presente em minha vida.

Maria Muadiê disse...

Sou apaixonada por Antonio Brasileiro. Até seu nome é poesia.

Gustavo Felicíssimo disse...

O poema é mesmo fora de série, mas esse verso "A alma é só um barco na vitrine." me faz refletir a respeito do modo como um poeta deve dizer as coisas. Me lembra Cummings quando diz: nem Deus/ nem mesmo a chuva/ tem mãos tão pequenas. Ele deve mesmo buscar o indizivel, mas sempre sabendo o que quer dizer. Nesse ponto Brasileiro é quase insuperável. Ademais, em seus poemas há sempre algo que, não dito, faz o leitor prosseguir no poema.