
Antonio Brasileiro
Um dia o mundo inteiro vai ser memória.
Tudo será memória.
As pessoas que vemos transitar naquela rua,
as gentis ou as sábias, ou as más, todas,
todas.
E o mendigo que passa sem o cão,
o ginasta, a mãe, o bobo, o cético, a turista.
Deus, inclusive, regendo o fim das coisas
memoráveis, também será memória. Deus
e os pardais.
E os grandes esqueletos do Museu Britânico.
Todo sofrimento será memória. Eu, sentado aqui,
serei só estes versos que dizem haver um eu
sentado aqui.
De Poemas Reunidos (Secretaria da Cultura e Turismo, FUNCEB, 2005 - Coleção Selo Editorial Letras da Bahia).
Este poema de Antonio Brasileiro foi dito em voz alta por James Amado na sessão de saudade a Jorge Amado, na Academia de Letras da Bahia. É um poema que habita em mim: cada verso ganhou seu lugar memorável.
Foto: ARRAIL D'AJUDA, na Costa do Descobrimento, Bahia.
Crédito: Sactur Porto Seguro
6 comentários:
Que primor de poema! Não se perde um verso. Poesia saida do âmago, com um certo tom amargo e verdadeiro. Gosto das poesias de Antônio Brasileiro, mas este é em especial um poema de gente grande.
Também quero acompanhar seu blog... Como se isso nunca tivesse acontecido...
Onde mais poderia colher, madrinha? Na realidade, sim...
Cheguei, vi e acompanhei! Seu blog é muito bom...gosto da prosa, da poesia da estética serena e de paz...
Belíssimo!!!
Tenho a impressão que Brasileiro persgue Caeiro. Ou seria Caeiro que persegue Brasileiro?
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