quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

MORMENTE A DOR

Gerana Damulakis


Mágoa, que dor
— lugar onde cheguei,
espaço onde pisei.

No entanto,
gastando quilômetros
de lágrimas,
noctâmbulo oito
horas,
transpondo seus muros
árabes, muralhas
chinesas, paredões
castristas

tal contido estava,
parecendo perdido,
acorrentado, rumo
à saída certa,
única e onipotente
da morte.

Transpondo a estrada
do pranto,
sim transpus, lavando
as águas nas águas
da fonte;

renasci aqui, em pé,
de pé no monte
das minhas palavras.


Do livro Guardador de mitos.

5 comentários:

Carlos Vilarinho disse...

Êta, 29 de janeiro produtivo, madrinha!!!!
FELICIDADES também!!!!
Abração,Parabéns, congratulations...

gláucia disse...

Parabéns, dona Gerana. Que seja de absoluta paz e de absoluta saude a nova etapa. Tudo lugar comum, para equilibrar com o lugar incomum que você ocupa na sua dedicação às letras, e na sua personalidade de mulher determinada e vitoriosa.Beijos amigos.

pereira disse...

Ainda bem que, como você diz (repetindo Aramis), poesia é a ficção do sentimento, porque este poema é muito triste. Parabéns, alegria para seu coração.

Flamarion disse...

Obrigadão, querida madrinha, pela homenagem e pela amizade.
Parabéns! Paz, saúde, e dindim, que não faz mal a ninguém.
Beijos.

Manuel Anastácio disse...

Não considero este poema triste, mas terno e exaltante, como só podem ser as palavras irrompendo dos escombros da miséria humana.
Beijo.