
Se me vieres, pouco te pedirei.
Não alteres teus horários
para ajustares aos meus.
Se o fizeres
te amarei com alegria.
Não desafies semáforos
para me veres mais cedo.
Se o fizeres,
a cada dia morrerei de susto,
e te amarei com remorso.
Não me jures amor eterno
para pintares sorrisos em minha face.
Se o fizeres,
pensarei na impermanência dos destinos
e te amarei sem certezas.
Não te peço que respeites meus ciúmes
para me veres tranqüila.
Ah, se o fazes...
Com quanta gratidão eu te amarei!
Só te peço que se um dia me vieres
rasgues de mim todas as solidões.
E me serás da terra, todo o bem,
e todo o mal serás.
E a tua completude
eu amarei sem qualificativos,
com esse amor absoluto de mulher.
Gláucia Lemos é ficcionista, cronista e poeta. Sua vasta obra está atualmente com 33 títulos publicados.
4 comentários:
Gostei do jogo entre "não precisa", mas "se fizeres", ótimo... Todas nós entendemos isto, é da alma feminina. Um poema que é, ao fim e ao cabo, um recado para os homens.
É verdade, Gerana.
Beijo-as
Tentei me colocar no lugar desse ser apaixonado e me senti bem estranho, doente de melancolia. Realmente esse sentimento deve ser feminino, não que o homem não o sinta, mas é diferente.
Beijos, Gláucia
Obrigada, Gerana, Fred e Flamarion. É enriquecedor observar a distância entre as maneiras de sentir masculina e feminina; graças a Deus que somos diferentes, por isso que somos complementares. Acho que, quando pedimos muito,acabamos cansando o outro. Por que não esperar que a doação venha? Ou não, se for o caso...
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