
Gláucia Lemos
Eu brinco de te amar, de madrugada,
resguardo no meu colo os teus segredos,
e te amo o dia inteiro às escondidas.
Brinco de te esquecer no fim da tarde,
quando se mata o dia no letárgio
do infausto aguardo, e do inacontecido.
À noite brinco que és tu quem me guarda.
Sou a “rainha da cocada preta,”
sou nau onde navegas teus delírios.
A mão direita sem saber da esquerda...
Um olho crê e o outro ainda duvida...
- Ah! eu só brinco para agüentar viver.
Eu brinco de te amar, de madrugada,
resguardo no meu colo os teus segredos,
e te amo o dia inteiro às escondidas.
Brinco de te esquecer no fim da tarde,
quando se mata o dia no letárgio
do infausto aguardo, e do inacontecido.
À noite brinco que és tu quem me guarda.
Sou a “rainha da cocada preta,”
sou nau onde navegas teus delírios.
A mão direita sem saber da esquerda...
Um olho crê e o outro ainda duvida...
- Ah! eu só brinco para agüentar viver.
Gláucia Lemos é ficcionista e poeta, tem 33 títulos publicados. Seu mais recente romance (foto da capa) é Bichos de Conchas (Scortecci, 2008).
5 comentários:
Gostei muito. Voltei para reler.
Um poema singelo como deve ser você. Andei desaparecido, cheio de problemas. Passo neste blog, quando encontro um texto seu ou poema, sempre leio. A vida está difícil, ler ajuda um pouco.
Não vejo Gláucia há anos, mas sua literatura continuo acompanhando. Irei na Saraiva hoje e procurarei este livro, já decorei como é a capa, prefiro ler romances e contos, não sou muito poética, só às vezes, poesia tem hora para bater certo dentro da gente, mas o poema é sonoro e bonito.
Este seu poema me lembrou o enigma da cruel cantora, aquela do Édipo Rei. Sei que não é bem isso mas lembrei. Ele traz uma alegria infantil e uma dolorosa angústia de existir, mais tarde. Achei que nesse ponto, quando se sabe que a vida é meio amarga, a alegria é bem próxima da loucura.
Beijos, Gláucia. Adorei seu poema.
AGErana, Anna, Pereira, Flamarion, muito obrigada. Beijo os quatro, alguns fiéis e desaparecidos. Feliz retorno!
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