
Gerana Damulakis
Senti muito a ausência de Kátia Borges na nossa reunião de ontem. Eu havia prometido, na anterior, que leria quatro poemas. Fiquei repetindo isto, Kátia. E, pior, enumerando-os, mas não fiz a leitura. Luís Antonio Cajazeira Ramos atacou com Fernando Pessoa e leu os 14 "Passos da Cruz", com repeteco para alguns passos. Imagine o quanto reclamei, dizendo que tenho limite para ouvir poesia em voz alta sem interrupções. Aquela coisa: Lima fica rindo quando eu digo para Luís parar de ler e Luís não atende, obviamente. Lima Trindade leu Eugênio de Andrade; já o escritor Carlos Emílio C. Lima achou o poema fraco. Gláucia Lemos, bela por dentro e por fora, feliz com seu mais novo romance premiado e publicado. Ela e eu não lemos, só ouvimos. A parte que se refere à gastronomia estava péssima: foi a pior reunião em se tratando do que comemos, uma lasanha horrorosa e dois pudins (dois!!!). Vai abaixo um dos quatro poemas que eu pretendia ler para você. É de David Mourão-Ferreira
Tombam secretas madrugadas
e rios densos de pavor
de tuas pernas devassadas
por meu instinto e meu amor.
Em teus joelhos levantados
tocam as pontas de uma estrela.
(Quaisquer receios de pecados
empalidecem à luz dela...)
E as tuas ancas repousadas,
pra que o meu corpo se concentre,
esperam, cativas - que as espadas
de amor se cravem no teu ventre.
Do livro A secreta viagem
2 comentários:
Não é verdade sobre ser a pior reunião, exagero da modéstia. A lasanha estava gostosa, sim, e termos dois pudins foi excelente desculpa para comermos sobremesa duas vezes. Quem não gosta de pudim?
Oh, querida, me perdoe. Achei de passar antes na festa de um colega de jornal, às 17 horas. E acabei ficando e ficando (meu relógio pifou e estava sem celular). Quando me toquei, já eram 9 da noite. Fico devendo essa. Beijos
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