terça-feira, 2 de setembro de 2008

MAIS 10 TÍTULOS INESQUECÍVEIS


Gerana Damulakis


O poeta Goulart Gomes gosta tanto de listas quanto eu, e ficou ansioso com a minha decisão de colocar os romances inesquecíveis de 10 em 10 títulos. Ele disse que isto fica parecendo capítulo de novela e, assim, iria ter que acompanhar. Só para aplacar a curiosidade dele, que é um leitor muito respeitado por mim, vou adiantar mais 10 títulos. Os 100 já estão listados mas, creio, ficariam como algo excessivo para um blog, ninguém iria ter paciência para ler 100 títulos (apenas Goulart). Há outra razão para não apresentar a lista total: a idéia (de Kátia Borges) de reproduzir trechos de alguma das 10 obras se perderia.


DA LISTA


11- Pé na estrada, de Jack Kerouac


12- O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger


13- O jovem Törless, de Robert Musil


14- Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa


15- Adolpho, de Benjamin Constant


16- A Colmeia, de Camilo José Cela


17- Os Buddenbrooks, de Thomas Mann


18- Crime e castigo, de Dostoiévski


19- Petersburgo, de Andrei Biéli


20- O zero e o infinito, de Arthur Koestler


TRECHOS DE Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa (foto).


Ela era. Tal que assim se desencantava, num encanto tão terrível; (...) Diadorim! Diadorim era uma mulher. Diadorim era mulher como o sol não acende a água do rio, como eu solucei meu desespero.


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Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:
— Meu amor!...


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A mulher lavou o corpo, que revestiu com a melhor peça de roupa que ela tirou da trouxa dela mesma. No peito, entre as mãos postas, ainda depositou o cordão com o escapulário que tinha sido meu, e um rosário, de coquinhos de ouricuri e contas de lágrimas-de-nossa-senhora. Só faltou – ah! – a pedra ametista, tanto trazida... o Quipes veio, com as velas, que acendemos em quadral. Essas coisas se passavam perto de mim. Como tinham ido abrir a cova, cristãmente, pelo repugnar e revoltar, primeiro eu quis: — Enterrem separado dos outros, num aliso de vereda, adonde ninguém ache, nunca se saiba...

5 comentários:

gláucia lemos disse...

Quem não se ajoelhará diante de textos como esses? A ingenuidade das palavras como só o grande Rosa interpretaria, e o lirismo mais que pungente já conhecido de todos os que leram o romance.

Goulart Gomes disse...

Que delícia!

Goulart Gomes disse...

Geraninha:

Dessa vez coincidimos em dois: Dostoiévski e Rosa, que também estão na minha lista, entre os 10 Mais. Kerouac já está comprado, aguardando sua vez. Musil, Cela e Mann estavam em minha fila de de compra e subiram algumas posições, após sua indicação. De Salinger eu não quero mais nem ouvir falar, depois que li o “Apanhador”, mesmo ele constando de oito listas internacionais.

Flamarion Silva disse...

Passagens belíssimas de Grande Sertão: veredas. Vou ler este livro rapidinho, mas calmamente, devagar, que nem a personagem de Felicidade Clandestina. Depois penso nos outros.
Abraços.

fred disse...

Gerana,
É tentador, mas não ouso. Creio mais fácil uma lista menor, talvez cinco, dez no máximo, pois qualquer omissão será, creio, mais facilmente perdoada.
Beijos.