segunda-feira, 22 de setembro de 2008

ENFIM, OS 100

Gerana Damulakis

Enfim os 100 romances aí estão. Ficaram muitos de fora. Limite é sempre algo enganador, achamos que organiza pensamentos, até ações, mas é vã ilusão, continua sendo apenas uma barreira que desperta o desejo de ultrapassar. Se calhar, seguirei com a lista até um número qualquer, designado tão somente pelo meu gosto. Afinal, e seguindo um debate que o blog Madame K levantou há pouco tempo, para que servem os blogs? Servem ao gosto de cada um, servem para preencher alguma lacuna. No meu caso, o blog serve para registrar leituras, aplaudir textos, divulgar seus autores, compartilhar a literatura.

91- Em busca do tempo perdido (todos os volumes), de Marcel Proust

92-De verdade, de Sándor Márai

93- Minha vida de menina, de Helena Morley

94- Encontro em Samarra, de John O'Hara

95- Giovanni, de James Baldwin

96- Meus dias de escritor, de Tobias Wolff

97- Casa de encontros, de Martin Amis

98- As aventuras do Sr. Pickwick, de Charles Dickens

99-Os anéis de Saturno, de W.G. Sebald

100- O destino de um homem, de Somerset Maugham

TRECHO de Albertina desaparecida, a versão de A fugitiva alterada pelo próprio autor, último volume de Em busca do tempo perdido no qual Marcel Proust (foto) trabalhou.

Albertina já não existia; mas era a pessoa que me havia escondido seus relacionamentos com mulheres, em Balbec, e que imaginava ter conseguido me manter ignorante quanto à questão. Quando consideramos o que há de acontecer conosco após a morte, não é o nosso “eu” vivo que, erroneamente, ao fazê-lo, projetamos? Será mais absurdo, afinal, lamentar que uma mulher que já não existe desconhece ter vindo à tona o que ela fazia seis anos atrás, ou desejar que o público fale bem de nós daqui a um século, quando estivermos mortos? Se o segundo caso tem mais fundamento que o primeiro, o arrependimento, retrospectivo, do meu ciúme partiu do mesmo erro de visão que produz no homem o desejo da celebridade póstuma. Todavia, se a impressão da natureza solene e irrevogável da minha separação de Albertina, momentaneamente, suplantou a idéia que concebi de suas más ações, a mesma impressão serviu tão somente para agravá-las, conferindo-lhes um caráter irremediável. Vi a mim mesmo perdido na vida, como em uma praia infinita, onde estava só e onde jamais a encontraria, seguisse eu em qualquer direção.

3 comentários:

Goulart Gomes disse...

Só temos a agradecer por você compartilhar um pouco do seu conhecimento conosco!

Gustavo Felicíssimo disse...

Então tome aí mais um blog para você conhecer, o que me daria muita satisfação: www.sopadepoesia.zip.net

fred disse...

Gerana,

No mínimo, você traçou um ótimo roteiro para quem deseje conhecer grandes romances, não apenas da literatura ocidental, mas, também, com a inclusão de importantes autores do oriente.
Como é natural que ocorra, não conheço todos os romances que você selecionou, e, obviamente, há títulos que não estão listados e que eu colocaria entre os meus preferidos: Pedro Páramo, de Juan Rulfo e Almas Mortas, de Nikolai Gogol, por exemplo, mas foi uma lista de respeito, ou, como está na moda o uso de metáforas futebolísticas: show de bola.

Beijos.