
Uma verdade em teu olhar vem como um rio,
banhar tanta aridez, e me povoa
na minha fantasia, à tua ausência,
alimentando um surto imaginário.
Guardo esta dor e te oferendo o sonho,
e sacralizo inteira esta saudade
que chove sobre mim nesta hora estreita.
Vem, quando vens, a nuvem da esperança.
Ao arrepio da ausência, recupero
o ninho,
no tecer do teu abraço.
Ao sempre desabrigo do meu dorso,
vem! Vem!!!
Pois, quando vindo, és madrugada,
és pouso de andarilho,
e barco de regresso.
E eu sempre cais,
aos ventos desta espera.
Poeta, ficcionista e cronista, Gláucia Lemos tem mais de 20 títulos publicados.
6 comentários:
Confesso que me deu agonia este final. Passou-me a imagem (perfeita, é claro) de uma coisa eternamente presa: cais, sempre à espera, enquanto o outro é livre. Sei lá. O importante é que eu senti uma coisa. Talvez meu estado de percepção, agora, seja este, mais tarde pode ser que mude. Abraços.
Tem razão, Flamarion. É a marca cultural que encerra o sentimento: sempre há um preso e o outro solto.
Jogos de palavras, metáforas e imagens oníricas. Coisa de gênio. Melhor de gênia.
Flamarion: quando o leitor " sentiu uma coisa", o autor pensa: Cheguei
ao leitor, valeu. Sempre há alguém esperando por outrem que às vezes nunca vem. Às vezes também vem, a depender da situação, mas acho que todo mundo teve alguma vez em que personificou esse cais, mesmo que fosse passageiro. Vilarinho: nem tanto! Obrigada aos dois.
Marco minha 'presença' para aplaudir a "Ausência".
Sua presença é benvinda, Pereira. Obrigada.
Postar um comentário