segunda-feira, 28 de julho de 2008

POEMA DE ILDÁSIO TAVARES







Que fará o favor que vós não dais
Quando o vosso desprezo torna a vida?
Luis de Camões






Quando me condenaste ao exílio, amiga
seqüestrando de mim a tua imagem,
restou-me a dor por esperança, aragem
que o coração, por ilusão, abriga.
Julgaste. Sentenciaste. A alma mendiga
vagou (pelo relento da paisagem)
esfarrapadamente na friagem
quando me condenaste ao exílio, amiga.
Não obstante, eu te quero ainda mais
e o teu desdém me atrai e tem-me preso,
barco que o vento traz de volta ao cais.
Minha inimiga, se arde assim meu peito
quando é só o desprezo que me dás,
será o sol se tu me dás teu leito.




Ildásio Tavares fez Letras na UFBA, Mestrado na Southern Illinois University, Doutorado na UFRJ, Pós-Doutorado na Universidade de Lisboa. É poeta, ficcionista, cronista, tradutor, compositor, especialista em Ernest Hemingway e em Camões. Um de seus títulos mais recentes é O Domador de Mulheres, da Imago Editora, 2003.

4 comentários:

pereira disse...

Para mim, ele é um mestre da poesia antes de ser mestre, doutor e pós-doutor. O cara é fera com a linguagem poética.

glaucia lemos disse...

Camoniano, Ildásio. Belíssimo! tive impressão de estar lendo Camões, sinceramente. Parabéns.

Gerana Damulakis disse...

Ildásio, poeta querido: você tem a poesia que quiser escrever. Se quer dialogar com Camões, dialoga. O resultado é sempre o melhor Ildásio Tavares.

Manuel Anastácio disse...

Camões ressuscitado, deveras.