
Fred Matos
falemos sobre as pequenas coisas que nos cercam
falemos vagarosamente para que durem
um mínimo instante além do tempo que as fitamos
para as grandes coisas
já dedicamos toda a nossa pressa
e ela não foi capaz de nos dar conforto
nem de solucionar os graves problemas humanos
dediquemos às pequenas coisas um olhar preguiçoso
melhor ainda
façamos um pacto de silêncio enquanto caminhamos
de mãos dadas como Ricardo e Lídia à beira do riacho
onde eu nunca me havia dado conta
dos pés de avenca na sombra amarela do Ipê
façamos um pacto de silêncio para ouvir os pássaros
façamos um pacto de silêncio para ouvir as águas
e os seixos que rolam no seu leito
façamos silêncio para ouvir o vento
façamos silêncio porque as palavras estão gastas
como os seixos que rolam ao sabor das circunstâncias.
Este “pacto” é um dos poemas do livro inédito de poesia “nas horas e horas e meias”.
Foto de selenis, retirada do Flickr.
5 comentários:
Fred: falei de seu pai e meu tio Flávio e sobre as farras que eles faziam pela Bahia de outrora. Isto porque Valdomiro Santana me perguntou algumas coisas sobre Flávio Costa para uma autobiografia que Salim Miguel está preparando. Lembrei de Ariovaldo Matos, tão presente nos originais que tenho de meu tio. Deve ter sido muito boa a juventude deles.
Parabéns pelo poema!
Acredito que sim, que tenham sido farras homéricas. São poucas as minhas lembranças da época, mas me recordo do tio Flávio, no tempo que morávamos na rua Visconde de São Lourenço.
Obrigado por publicar o poema.
Beijos.
Fred.
Um poema e tanto! Quanta poesia na simplicidade do dizer. Parabéns!
Belo poema, Gerana. Bj
Gosto muito dos contos do Fred Matos. Até hoje não me saiu da cabeça o "Primeira Cicatriz", que é um conto do seu livro "Melhor que a Encomenda". Abraços Fred.
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