domingo, 8 de novembro de 2009

REVISTA GRANTA -VOL. 4


GD

Granta, editada pela Alfaguara, é uma revista em forma de livro. Em português, ela já está no volume 4: todos com textos de primeira, pois que a marca da revista é sempre trazer o melhor dos melhores.
Os autores de Granta, vol. 4, são: Haruki Murakami, Luis Fernando Verissimo, Joyce Carol Oates, Sérgio Sant’Anna, George Steiner, Miguel Sanches Neto, Annie Proulx, Elena Lappin, Edward Platt, Kathleen Jamie, João Wainer, Milton Hatoum, Eucanaã Ferraz, Adriana Lisboa e João Paulo Cuenca.
Tive o prazer da leitura do conto "Tailândia", do escritor que tem minha intensa admiração, Haruki Murakami, cuja produção que conheço é composta de romances. Nem sei dizer qual o romance que prefiro, se Dance Dance Dance, se Kafka à beira-mar, se Após o anoitecer, se... (tenho 6 romances de Murakami, todos traduzidos para nossa língua; qualquer um deles é leitura certa). Ele esteve como um dos mais cotados para receber o Nobel no último outubro.
Outro ponto alto da revista: o conto de Sérgio Sant'Anna, "O texto tatuado". Inesquecível.
"Então você quer ser escritor", traz uma história saborosa de Miguel Sanches Neto.
Nos textos da parte intitulada "Ambição de Escritor", destaco o de Milton Hatoum.

sábado, 7 de novembro de 2009

CESÁRIO VERDE E PAUL CÉZANNE: UM PARALELO TECIDO

Gerana Damulakis


Luís Antônio Cajazeira Ramos construiu um paralelo interessante entre o pintor Paul Cézanne (1839-1906) e o poeta Cesário Verde (1855-1886). Cajazeira disse que Cesário Verde foi, para a poesia de língua portuguesa, o que Cézanne representou para a pintura européia. Tal representação do francês tem fundamento na sua “concepção arquitetônica da composição”, como dizem as palavras do próprio Paul Cézanne. Resultado: sua obra funcionou como uma ligação entre o impressionismo e o cubismo, daí Matisse e Picasso terem considerado Cézanne “o pai de todos nós”.
Cajazeira Ramos lembrou que, embora Cézanne não tenha fundado escolas, escolas foram fundadas graças ao seu legado. E concluiu: assim como, sem Cesário Verde, não existiria Pessoa, Augusto dos Anjos, Drummond, pois ele abriu o caminho para o futuro. O poeta-pintor, como foi rotulado, Cesário Verde colocou em palavras suas imagens visuais plenas de realismo.


DE TARDE
Cesário Verde

Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela;
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aquarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Lisboa, O Livro de Cesário Verde, 1887

Poema de Cesário Verde retirado do volume Cesário Verde – Todos os Poemas – Organização, Introdução e Bibliografia: Jorge Fernandes da Silveira (Rio de Janeiro: Sette Letras, 1995).
Ilustração da postagem: de Paul Cézanne, Baigneuses 1874/1875 – Metropolitan Museum Nova Iorque.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A LEITURA: UMA VIAGEM


Gerana Damulakis

Li, faz algum tempo, no ótimo Bibliotecário de Babel (http://bibliotecariodebabel.com/) sobre a leitura ser algo tão apaixonante que se pode até andar lendo. Lembro que, nos comentários, houve quem aconselhasse a José Mário Silva a ter cuidado para não acabar sendo atropelado. Não esqueci da postagem que era, obviamente, muito melhor do que a minha reprodução aqui resumida.
Ao entrar hoje no blog O silêncio dos livros (http://osilenciodoslivros.blogspot.com/) olhei para o belíssimo Franco Matticchio acima postado e fiquei pensando. É isto mesmo, o mundo fica invisível, as pessoas passam para lá e para cá, mas o que importa, naquele momento da leitura, independente do lugar, está no livro. Um outro mundo nas páginas. Qual? Também não importa qual, são tantos, tantas as possibilidades. Só a viagem importa: que seja bela!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ADELICE E LUÍS HENRIQUE NA ALB


MARCUS VINÍCIUS VENCE O CONCURSO NEWTON SAMPAIO



Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio 2009 -
Resultado



A Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e a Comissão Julgadora, constituída por MARINA COLASANTI E MIGUEL SANCHES NETO, FLOR DE MARIA SILVA DUARTE, apresentam os vencedores do Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009.

Os contos premiados foram:

Em primeiro lugar: inscrição nº : 1055
Autor: Marcus Vinícius Couto Rodrigues - Salvador - BA
com o conto: A omoplata

Em segundo lugar: incrição nº: 397
Autor: Douglas Kim - São Paulo - SP
com o conto: O homem envolveu a menina com o braço direito

Em terceiro lugar: inscrição nº: 466
Autor: Walther Moreira Santos - Vitória de Santo Antão - PE
com o conto: Uma esperança

Indicado para receber a menção honrosa:
Inscrição nº: 170
Autor: Lucas Jerzy Portela - Salvador - BA
Conto: Os galos

Foto de Marcus Vinícius retirada do blog Café Molotov, entrada pelos meus favoritos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MINICONTO


O CORPO CAÍDO NO CHÃO
Aramis Ribeiro Costa

Tinha quarenta e três anos, era forte e saudável, mas sentiu uma forte dor no peito, suou frio, caiu no chão desmaiado, e lá ficou na calçada, em plena avenida movimentada. Uma senhora passava com a filha, comentou:
- Que vergonha. A essa hora.